De óculos escuros, advogado recita poesia e joga capoeira durante sustentação oral no TJGO
Profissional estava representando a si mesmo e alegou estar sofrendo perseguição policial e do Judiciário
O advogado Jales Java dos Santos Lacerda Caliman protagonizou uma cena inusitada durante sustentação oral na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), nesta terça-feira (15).
Representando a si mesmo, ele recitou poesias, jogou capoeira e cantou na tribuna, enquanto pedia o trancamento de uma ação penal e a exclusão de registros de outros 20 processos, já prescritos ou arquivados, do sistema do Judiciário goiano.
Preso em 2021 após levar o filho a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ceres, Java Lacerda responde por se recusar a usar máscara no local. Ele também é acusado de ameaça, desobediência, infração de medida sanitária, desacato, inovação artificiosa e porte de drogas para uso pessoal. Na época, foi liberado após pagamento de fiança.
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Na ocasião, inclusive, ele foi acusado de ter fumado maconha no banheiro da unidade, mas negou os fatos e questionou a ausência de registros das câmeras de segurança.
Durante a sustentação, o advogado utilizou versos para criticar o que chamou de violações ao Estatuto da Advocacia. “Foi prisão de um advogado, sem a OAB estar presente. Rasgaram a lei no ato, de forma mais que evidente”, recitou. Em outro momento, disse que a ficha criminal contra ele teria sido “fabricada” por um juiz com quem teve desavenças: “Percebi: não era justiça, era perseguição disfarçada”.
De óculos escuros e movendo-se no espaço da tribuna com gestos de capoeira, ele também cantou: “A gente leva rasteira, tem delas que vem para matar. Mas quando a rasteira não mata, aproveite para se levantar”.
Os pedidos foram indeferidos pela relatora e presidente da Câmara, desembargadora Rozana Camapum. Ela afirmou que “o direito ao esquecimento não autoriza a exclusão de dados verídicos e legitimamente registrados em procedimentos administrativos e judiciais, conforme entendimento do STF e STJ”.
Sobre a ação penal ainda em curso, sustentou que a prisão em flagrante foi justificada e que não houve nulidade na ausência de representante da OAB no momento da detenção.
Durante a sessão, o advogado também afirmou estar sendo ameaçado de morte e se incomodou com a presença de policiais no local. A magistrada reagiu com surpresa e afirmou não entender a acusação, garantindo que não havia qualquer ordem de prisão contra ele e que todos os presentes eram servidores habituais da corte.
O clima ficou tenso quando Java insistiu que havia sido detido por buscar informações processuais. A desembargadora respondeu que era “ilógico” fazer esse tipo de alegação no julgamento e encerrou a sessão.
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