Após denúncia de Felca, psicólogas de Goiás alertam: sexualização infantil causa danos profundos

Comportamentos online têm refletido a perversidade de adultos e a falta de vigilância dos pais, segundo especialistas ouvidas pelo Portal 6

Gabriella Pinheiro Gabriella Pinheiro -
Felca
Youtuber viralizou e acendou polêmica nas redes sociais. (Foto: Reprodução)

Em um vídeo de quase 50 minutos, o influenciador Felca se tornou um dos assuntos mais comentados do X (antigo Twitter) desde a última quarta-feira (06), ao acusar o youtuber Hytalo Santos de produzir conteúdos que sexualizam crianças e adolescentes. Segundo ele, as postagens seriam voltadas a atrair pedófilos em busca de engajamento, e foram classificadas como “nefastas” e parte de um “circo macabro”.

Pouco menos de 48 horas após a gravação sobre o tema, o vídeo já acumula mais de 5 milhões de visualizações e despertou uma série de discussões sobre o assunto nas redes sociais, salientando a ascensão de conteúdos desse tipo que – de forma ampla – têm ganhado espaço nas plataformas.

Buscando entender o motivo de expansão do movimento, o Portal 6 conversou com duas psicólogas, de diferentes ramos, que destacaram alguns pontos que podem influenciar nesse tipo de comportamento.

Para a psicóloga Sarah Issa (@sarahissapsi) , a adultização de menores está diretamente ligada à sexualização, uma vez que é observado que crianças e pré-adolescentes têm se vestido e se comportado como adultos, participando de tendências, criando conteúdos e gravando vídeos com danças e conotação sexualizada em ambientes virtuais, o que tem como consequência a perda de essência e autenticidade respectivas da própria faixa etária.

Complementando o pensamento, a psicóloga Maria Helena Arruda (@mariahelenaarrudapsi)  destaca que – ainda – um fator que tem impulsionado a procura é a atitude dos próprios adultos.

“A perversidade dos adultos é um dos propulsores. São eles que são responsáveis por cuidar das crianças e o que esses adultos falam, eles [crianças] não questionam porque há uma dependência do adulto. Como isso fica evidente, isso [vídeos sexualizados] passa a ser normal, o que não é normal. É normal que cada fase seja cumprida no seu devido momento”, diz.

Os perigos envolvidos ainda vão muito além do que aparentam se tratar de uma mera exposição pública. Para Sarah, a exposição pode gerar consequências irreversíveis como bullying, assédio, importunação e, o que é ainda mais grave: atrair conteúdos de fácil acesso para pedófilos.

“Trata-se de um risco extremo tanto para a integridade física quanto para a saúde psicológica dessas crianças e adolescentes. Os impactos emocionais também são profundos: o menor pode desenvolver distúrbios relacionados à autoestima, à identidade e à forma como enxerga o próprio corpo. Além disso, o dano à privacidade e à dignidade pode ser permanente”, complementou.

Ambas concordam em um mesmo aspecto para tentar enfrentar e prevenir o problema: a necessidade de pais ou responsáveis de fiscalizarem e conscientizarem os menores sobre os riscos da exposição, além de terem conversas sobre a vida sexual.

“Os pais precisam estar em alerta. O celular tem que ser monitorado e há vários aplicativos para isso. A gente tem que lidar com o diálogo e ele ou ela precisam sentir que a conversa é um lugar seguro. É preciso ter a conversa com a criança e a sexualidade precisa deixar de ser um tabu e o pai e mãe precisam ouvir a pergunta do filho. Às vezes ele está até entendendo mais do que perguntou, mas quer compartilhar”, diz.

À esquerda é mostrado a psicóloga Sarah Issa e à direita a psicológa Maria Helena. (Foto: Arquivo Pessoal)

No Brasil, existem canais oficiais e seguros para denunciar casos de exposição, sexualização ou exploração de crianças e adolescentes – tanto no ambiente online quanto fora dele.

É possível utilizar o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), que recebe denúncias 24 horas por dia por meio do site www.gov.br/mdh/disque100.

Há também o SaferNet Brasil – ONG que atua no combate a crimes e violações de direitos humanos na internet – que recebe denúncias anônimas de crimes virtuais contra crianças e adolescentes, como pornografia infantil e aliciamento online.

As denúncias podem ser feitas pelo aplicativo “Proteja Brasil”, no site www.safernet.org.br. A plataforma indica os canais de denúncia mais próximos e permite acionar o Disque 100 ou o Conselho Tutelar diretamente.

Além disso, há o próprio Conselho Tutelar, que pode ser acionado pessoalmente ou via encaminhamento do Disque 100, e a Polícia Civil (PC) ou Polícia Federal (PF).

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Gabriella Pinheiro

Gabriella Pinheiro

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Atuou no Portal 6 como repórter e editora assistente.

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