Condomínio de Anápolis é alvo de protesto após moradores alegarem manobras do síndico e dívida de quase R$ 1 milhão
Moradores afirmam que têm sido perseguidos com multas e processos após assembleia que tentou destituir gestor ser derrubada

Moradores do Condomínio Torres do Mirante, localizado na Vila Jaiara, região Norte de Anápolis, denunciam um caso de supostos abusos e manobras para que o síndico se mantenha na posição mesmo após ser destituído em assembleia.
Os condôminos convocaram um protesto para a noite desta segunda-feira (02), alegando diversas irregularidades. O Portal 6 conversou com alguns proprietários, que afirmaram que a lista de problemas é extensa.
Dossiês defendem a existência de má gestão, conflito de interesses em contratações, falta de transparência nas informações dadas aos proprietários dos apartamentos, além de um suposto colapso financeiro.
A dívida, apontam os condôminos, passa dos R$ 800 mil, acumulada entre diferentes fontes. Em uma delas, os pagamentos estariam pendentes desde 2018.
O edifício também estaria operando há meses sem um fundo de reserva, embora conte com mais de 300 unidades e cobrança mensal de pelo menos R$ 300 cada.
Mesmo nesse cenário, diversas obras estariam sendo executadas nas áreas comuns, a exemplo de jardinagem. Embora algumas delas precisassem passar por assembleia, moradores afirmam que não votaram pela aprovação – e, mesmo assim, acabaram sendo feitas, aumentando as despesas em aberto.
Um morador afirma: “o síndico vem passando por cima dos moradores, sem aprovação de assembleia”, e detalha que isso não se restringe às obras realizadas.
Outro ponto que os proprietários levantam é que afirmam estarem sendo perseguidos. Contam que vêm sofrendo multas sem justificativas plausíveis e sem direito de defesa. Em um dos casos, uma vizinha precisa pagar mais de R$ 3 mil depois que o síndico teria apontado difamação e questionamentos em um grupo no WhatsApp.
O motivo, entendem, é uma manobra para tentar esvaziar as votações: “quem está inadimplente não pode participar das decisões”, explicam.
Um dos condôminos detalhou à reportagem sobre uma assembleia realizada em julho de 2025. “Fomos mais de 60 moradores, mais de 90 votos contando com as procurações. Votamos em unanimidade pela destituição do síndico”.
O resultado da votação, entretanto, teria sido embargado por uma decisão judicial, seguida por recursos e liminares.
A próxima assembleia do condomínio está marcada para esta terça-feira (03), às 09h. Segundo o comunicado, ela trata de três pautas: eleição de Síndico, Subsíndico e Conselho (eleição por chapa); prestação de contas de 2025; e previsão orçamentária para 2026.
Contudo, proprietários reclamam sobre o formato e o horário escolhidos. Afirmam que grande parte dos moradores tem a participação excluída porque é “composta por idosos sem acesso a tecnologia e trabalhadores em horário de serviço”.
Resposta do condomínio
O Portal 6 entrou em contato com o Torres do Mirante, questionando sobre as denúncias. Sobre a suposta perseguição a proprietários, a administração disse que “nega veementemente a prática” e mencionou que decisões recentes do Poder Judiciário definiram que quatro moradores fossem condenados a indenização por danos morais contra o síndico.
Sobre a aplicação de multas, que já foram objeto de constatação judicial, afirmou que “o direito de defesa e o contraditório são garantidos a todos os notificados”.
Quanto à realização de obras, o condomínio disse que elas “estão em total conformidade com as provisões orçamentárias aplicadas. Não há irregularidades”.
Por fim, sobre as tentativas de destituição, a administração do Torres do Mirante escreveu que “a movimentação para destituir o síndico trata-se de uma manobra política liderada justamente pelo grupo mencionado acima, que acaba de ser condenado civilmente por difamação e danos morais contra o gestor”.
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