Qual o significado de quando uma pessoa interrompe constantemente uma conversa, segundo a psicologia
Um comportamento comum pode esconder mais do que simples falta de educação
Interromper alguém durante uma conversa é um comportamento frequente em interações sociais e pode ser interpretado de formas distintas, dependendo do contexto.
Embora muitas vezes seja associado à falta de educação, a psicologia aponta que o hábito pode refletir características cognitivas, emocionais ou sociais específicas, não necessariamente intencionais.
Estudos sobre comunicação interpessoal indicam que a interrupção recorrente costuma estar ligada à forma como o indivíduo processa informações e regula impulsos.
Uma das explicações mais citadas envolve a impulsividade e a dificuldade de autocontrole. Análises no campo da neuropsicologia associam esse comportamento a déficits nas funções executivas do cérebro, responsáveis por inibir respostas automáticas.
O psiquiatra e pesquisador Russell Barkley, referência internacional no estudo do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), descreve que a redução do chamado “controle inibitório” pode levar o indivíduo a falar antes de concluir o pensamento do outro, mesmo sem intenção de interromper.
Outra causa recorrente é a baixa prática da escuta ativa, conceito amplamente desenvolvido pelo psicólogo Carl Rogers, um dos principais nomes da psicologia humanista.
Segundo Rogers, escutar de forma ativa exige suspender julgamentos e concentrar-se genuinamente na fala do outro.
Quando essa habilidade não está desenvolvida, a pessoa tende a preparar mentalmente sua própria resposta enquanto o outro ainda fala, o que favorece interrupções constantes.
Em alguns casos a interrupção não está relacionada a traços negativos, mas ao entusiasmo e ao desejo de conexão social.
Pesquisas conduzidas pela psicóloga Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte, mostram que emoções positivas ampliam a atenção e estimulam respostas rápidas.
Dentro da chamada “teoria da ampliação e construção”, esse estado emocional pode levar o indivíduo a se manifestar de forma imediata, acreditando estar contribuindo para o vínculo social.
Especialistas destacam que o comportamento só deve ser considerado problemático quando compromete relações pessoais ou profissionais de forma recorrente.
Organizações como a American Psychological Association (APA) ressaltam que a análise deve sempre levar em conta contexto, frequência e impacto social. Em muitos casos, desenvolver habilidades de comunicação, como a escuta ativa e o controle consciente da impulsividade, é suficiente para reduzir o padrão e melhorar a qualidade das interações.
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