Dona de berçário em Goiânia se posiciona após acusação de “torturas físicas e psicológicas” contra crianças
Caso ganhou repercussão após mãe divulgar relato de que diretora havia mordido o filho dela, de três anos

A Escola Berçário Sonharte, localizada no Jardim Planalto, em Goiânia, virou o centro das atenções após ser alvo de denúncias de que as crianças deixadas ali estariam sendo torturadas física e psicologicamente.
A situação – que, segundo relatos de pais, já seria comum no estabelecimento desde o início do funcionamento, há alguns anos – ganhou repercussão depois que Bruna Araújo publicou, nas redes sociais, que o filho havia sido mordido pela diretora.
A mãe alegou que a criança, de três anos, apareceu em casa com uma marca no braço. Questionado sobre o que havia acontecido, o pequeno relatou que tinha mordido uma colega, ao que teria sido repreendido com outra mordida, desta vez dada pela adulta.
Na ocasião, o filho ainda teria contado que, uma vez, havia levado um tapa da diretora porque tinha comido massinha. Bruna resolveu, então, compartilhar o caso pelo Instagram.
Foi a partir daí que começou a receber outros relatos. Ela contou ao Portal 6 que uma das primeiras respostas veio de uma ex-funcionária, que teria dito que “estava só esperando você falar sobre isso porque já vem acontecendo há anos”.
Bruna diz que o filho passou pelo exame de corpo de delito, afirmando que ouviu do perito que a mordida correspondia, provavelmente, à de um adulto, por conta do tamanho (6cm) e dos dentes formados.
A mãe listou os supostos maus-tratos que vinham sendo cometidos pela diretora e pelas duas irmãs dela. “As crianças sofriam tortura, elas batiam a cabeça deles na parede, jogavam no chão. Davam banho de água fria, privavam de alimentação, colocavam a comida na geladeira para, na hora do lanche, estar gelada como punição”.
“Uma das pessoas me disse que a diretora bebia todo o leite do meu filho e depois não deixava ele comer. Ele voltava para casa com fome”, afirmou. Entre os relatos compartilhados nas redes sociais, um dizia: “presenciei ela jogando leite em pó no vaso para os pais acharem que a criança tinha tomado”.
Outro compartilhava: “ou o chuveiro era quente e queimava, ou era frio e gelado. Também nunca tomavam banho sozinhos, colocava umas quatro crianças de uma vez no banheiro, e olha lá se dava sabão pra eles (os maiores)”.
Denúncia formalizada
Com tantos relatos em mãos, Bruna resolveu registrar formalmente as denúncias. Um processo foi criado na última sexta-feira (13) junto à 68ª Promotoria de Justiça da Comarca de Goiânia, tratando do assunto “maus-tratos”.
O caso também foi levado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da capital, abordando a mesma tipificação.
Posicionamento da diretora
Em nota à imprensa, a diretora e proprietária da instituição, Aline Graziela Daher da Silva Felipe, disse que as situações relatadas “nunca ocorreram em suas dependências”.
O documento afirma que, “a fim de apurar a veracidade dos fatos, foi instaurado um Inquérito Policial para tratar sobre um suposto crime de maus-tratos” e detalha que as alegações indicam que, “em 11 de fevereiro de 2026, a criança teria relatado ter sido levada a uma sala escura, sacudida, que teriam gritado com ela e desferido uma mordida em seu braço esquerdo, o que teria sido praticado pela pessoa da Diretora”.
Diante disso, o berçário destaca que ainda não houve qualquer conclusão definitiva, visto que nem todas as testemunhas prestaram depoimento e que a Justiça não se manifestou sobre o caso.
A nota finaliza dizendo que “estão colaborando plenamente com as autoridades para o total esclarecimento dos fatos”.
O Portal 6 apurou que uma das irmãs da diretora também registrou uma denúncia, na última segunda-feira (16), contra a mãe que repercutiu as situações. Ela alega que se trata de um caso de calúnia – a falsa acusação de um fato definido como crime contra alguém. Isso deve ser apurado pela Polícia Civil (PC).
Siga o Portal 6 no Instagram: @portal6noticias e fique por dentro das últimas notícias de Goiânia!







