Dona de berçário em Goiânia se posiciona após acusação de “torturas físicas e psicológicas” contra crianças

Caso ganhou repercussão após mãe divulgar relato de que diretora havia mordido o filho dela, de três anos

Natália Sezil -
Mãe denuncia que filho foi mordido pela diretora do berçário.
Mãe denuncia que filho foi mordido pela diretora do berçário. (Foto: Arquivo pessoal/Bruna Araújo)

A Escola Berçário Sonharte, localizada no Jardim Planalto, em Goiânia, virou o centro das atenções após ser alvo de denúncias de que as crianças deixadas ali estariam sendo torturadas física e psicologicamente.

A situação – que, segundo relatos de pais, já seria comum no estabelecimento desde o início do funcionamento, há alguns anos – ganhou repercussão depois que Bruna Araújo publicou, nas redes sociais, que o filho havia sido mordido pela diretora.

A mãe alegou que a criança, de três anos, apareceu em casa com uma marca no braço. Questionado sobre o que havia acontecido, o pequeno relatou que tinha mordido uma colega, ao que teria sido repreendido com outra mordida, desta vez dada pela adulta.

Na ocasião, o filho ainda teria contado que, uma vez, havia levado um tapa da diretora porque tinha comido massinha. Bruna resolveu, então, compartilhar o caso pelo Instagram.

Foi a partir daí que começou a receber outros relatos. Ela contou ao Portal 6 que uma das primeiras respostas veio de uma ex-funcionária, que teria dito que “estava só esperando você falar sobre isso porque já vem acontecendo há anos”.

Bruna diz que o filho passou pelo exame de corpo de delito, afirmando que ouviu do perito que a mordida correspondia, provavelmente, à de um adulto, por conta do tamanho (6cm) e dos dentes formados.

A mãe listou os supostos maus-tratos que vinham sendo cometidos pela diretora e pelas duas irmãs dela. “As crianças sofriam tortura, elas batiam a cabeça deles na parede, jogavam no chão. Davam banho de água fria, privavam de alimentação, colocavam a comida na geladeira para, na hora do lanche, estar gelada como punição”.

“Uma das pessoas me disse que a diretora bebia todo o leite do meu filho e depois não deixava ele comer. Ele voltava para casa com fome”, afirmou. Entre os relatos compartilhados nas redes sociais, um dizia: “presenciei ela jogando leite em pó no vaso para os pais acharem que a criança tinha tomado”.

Outro compartilhava: “ou o chuveiro era quente e queimava, ou era frio e gelado. Também nunca tomavam banho sozinhos, colocava umas quatro crianças de uma vez no banheiro, e olha lá se dava sabão pra eles (os maiores)”.

Denúncia formalizada

Com tantos relatos em mãos, Bruna resolveu registrar formalmente as denúncias. Um processo foi criado na última sexta-feira (13) junto à 68ª Promotoria de Justiça da Comarca de Goiânia, tratando do assunto “maus-tratos”.

O caso também foi levado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da capital, abordando a mesma tipificação.

Posicionamento da diretora

Em nota à imprensa, a diretora e proprietária da instituição, Aline Graziela Daher da Silva Felipe, disse que as situações relatadas “nunca ocorreram em suas dependências”.

O documento afirma que, “a fim de apurar a veracidade dos fatos, foi instaurado um Inquérito Policial para tratar sobre um suposto crime de maus-tratos” e detalha que as alegações indicam que, “em 11 de fevereiro de 2026, a criança teria relatado ter sido levada a uma sala escura, sacudida, que teriam gritado com ela e desferido uma mordida em seu braço esquerdo, o que teria sido praticado pela pessoa da Diretora”.

Diante disso, o berçário destaca que ainda não houve qualquer conclusão definitiva, visto que nem todas as testemunhas prestaram depoimento e que a Justiça não se manifestou sobre o caso.

A nota finaliza dizendo que “estão colaborando plenamente com as autoridades para o total esclarecimento dos fatos”.

O Portal 6 apurou que uma das irmãs da diretora também registrou uma denúncia, na última segunda-feira (16), contra a mãe que repercutiu as situações. Ela alega que se trata de um caso de calúnia – a falsa acusação de um fato definido como crime contra alguém. Isso deve ser apurado pela Polícia Civil (PC).

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Natália Sezil

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás, é estagiária do Portal 6 e atua na cobertura do cotidiano. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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