Falta de mão de obra: produtores brasileiros atribuem prejuízos na colheita ao Bolsa Família
Entidade do setor afirma que receio de perder benefício social tem dificultado contratações na colheita da maçã

A safra brasileira de maçã 2025/26 deve registrar crescimento de aproximadamente 35%, alcançando cerca de 1,15 milhão de toneladas. A projeção também aponta que as exportações podem ultrapassar 60 mil toneladas, mais do que quadruplicando em relação ao ciclo anterior.
Apesar do cenário positivo, produtores relatam dificuldades na colheita por falta de trabalhadores. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), a escassez de mão de obra tem provocado perdas nos pomares e aumento no custo por unidade produzida.
Problema recorrente
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De acordo com a ABPM, a situação tem sido registrada com maior frequência nos últimos anos e afeta diferentes regiões produtoras, ainda que relatos tenham ganhado maior repercussão na Serra Catarinense.
O diretor executivo da entidade, Moisés Lopes de Albuquerque, afirma que a dificuldade em contratar trabalhadores em número suficiente impacta diretamente a eficiência da colheita.
Relação com programas sociais
Segundo Albuquerque, um dos fatores identificados pelo setor é o receio de trabalhadores beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família, de perderem o benefício ao aceitar emprego formal temporário.
A entidade defende que o governo federal avalie mecanismos que permitam a manutenção do benefício para famílias que ingressem em contratos sazonais com carteira assinada, de modo a estimular a formalização sem prejuízo à renda familiar.
O Bolsa Família possui regras de transição, conhecidas como “Regra de Proteção”, que permitem a permanência parcial do benefício por período determinado quando há aumento da renda familiar dentro de limites estabelecidos pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
Impacto na cadeia produtiva
A ABPM afirma que a falta de trabalhadores não afeta apenas o produtor, mas toda a cadeia produtiva, incluindo fornecedores de insumos, transporte e comércio local.
Embora o setor tenha investido em tecnologias para aumentar a produtividade, como plataformas de colheita e modernização industrial, a entidade ressalta que a atividade ainda depende intensamente de mão de obra humana.
A reportagem procurou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para comentar a possibilidade de ajustes nas regras para trabalhadores sazonais beneficiários de programas sociais. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
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