Região da 44 já faz metade das vendas no atacado pela internet e disputa clientes com Shein e Shopee
WhatsApp concentra boa parte das negociações, enquanto comerciantes reduzem preços e ampliam estratégias para enfrentar a concorrência das plataformas

Principal polo de comércio popular e atacadista de moda de Goiânia, a Região da 44 já faz metade das vendas do atacado pela internet. As principais plataformas usadas são canais de relacionamento direto, como o WhatsApp, que concentram aproximadamente 50% das operações atacadistas.
Outros meios digitais usados são os marketplaces, correspondentes a cerca de 5% dessa parcela. Os cerca de 45% restantes ainda são realizados presencialmente, sobretudo por caravanas e clientes que viajam à capital, de acordo com estimativa da Associação Empresarial da Região da 44 (AER-44).
A região se coloca como um dos pilares da economia do estado, movimentando anualmente algo em torno de R$ 15 bilhões, possuindo aproximadamente 13 mil pontos de venda e 2,6 mil feirantes, que atendem a mais de 260 mil visitantes por semana.
As vendas do varejo, entretanto, são realizadas majoritariamente de maneira presencial, o que representa cerca de 80% do comércio.
Concorrência aumenta pressão sobre os preços
Ao ter forte presença digital no setor atacadista, os comerciantes da 44 dividem espaço de venda com gigantes do comércio internacional, como Shein, Shopee e AliExpress. Segundo a AER-44, empresários reduziram os preços entre 3% e 10% em diferentes segmentos para continuar competitivos.
A queda dos valores pode não aparecer de imediato no faturamento dos lojistas, mas tende a diminuir a margem de lucro. Além disso, os comerciantes também arcam com custos como aluguel, funcionários, energia, impostos e licenças.
Em entrevista ao Mais Goiás, a presidente do Sindilojas-GO, Marisa Carneiro, alerta para o risco, em caso extremo, de fechamento de postos de trabalho. Porém, neste momento, o mais provável é o adiamento da abertura de possíveis novas vagas de emprego.
Produção goiana mantém espaço
Mesmo pressionado pelo mercado internacional, o polo continua tendo lugar de destaque na economia de Goiás enquanto avança nas vendas pela internet.
Ao ir às lojas, o cliente tem a possibilidade de fazer uma compra mais assertiva, podendo experimentar peças, conferir o caimento e examinar os tecidos. Motivos como esses explicam o grande fluxo de pessoas todos os dias na região.
Ainda assim, o Shopping Gallo, que reúne 300 lojas e recebe quase 300 mil visitantes mensalmente, tem 40% das compras feitas online, e cerca de 80% das operações comercializam produtos fabricados no estado.
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