Novo rompimento de lago ameaça operações de resgate no Nepal; mortos vão a 584
Incidente elevou o risco de novas enxurradas na região do Himalaia e levou à suspensão temporária das operações

As autoridades do Nepal ordenaram nesta sexta-feira (28) que as equipes de resgate que procuram sobreviventes das inundações fatais se protejam, após o rompimento, no Tibete, de um lago formado pelo recente deslizamento, aumentando o risco de novas enxurradas.
O incidente elevou o risco de novas enxurradas na região do Himalaia e levou à suspensão temporária das operações em território nepalês e também na China. As buscas foram retomadas depois que o risco foi considerado controlável.
No Nepal, o Exército informou que o nível da água subiu cerca de 60 centímetros após o alerta, e o governo monitora dois lagos que ainda correm o risco de romper e transbordar. O desastre matou ao menos 584 pessoas, de acordo com balanços ainda preliminares. Do total de mortos, 579 foram registrados no Nepal, segundo balanço da polícia, e 5 do lado chinês, de acordo com a imprensa estatal.
As informações sobre as vítimas não são centralizadas em uma única fonte e são divulgadas de forma separada pelas autoridades e pela imprensa dos dois lados da fronteira. Ao menos 1.924 pessoas estão desaparecidas, segundo balanço divulgado pela polícia do Nepal nesta sexta.
Uma massa de água e lama semelhante a um tsunami avançou sobre a região na quarta-feira (16), soterrando casas, derrubando pontes e arrastando veículos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o desastre foi causado pelo colapso de uma geleira, que desencadeou uma enorme corrente de rochas, gelo, lama e detritos que avançou pelos rios da região.
Mais de 90 mil pessoas foram afetadas, segundo estimativa da Cruz Vermelha, e caminhões com ajuda humanitária encontram dificuldades logísticas para chegar às áreas atingidas.
A água ficou represada e formou lagos, nos dois lados da fronteira, que correm o risco de romper e transbordar. Um deles cedeu na manhã desta sexta no Tibete, colocando em risco as equipes que fazem buscas na região. Por isso, a polícia nepalesa pediu a todos os socorristas que buscassem locais seguros.
Mais tarde, a mídia estatal chinesa afirmou que o risco de inundações associado a um lago formado após o desabamento de uma geleira estava sob controle. Com isso, as operações de resgate, que haviam sido suspensas, puderam ser retomadas.
A Reuters conseguiu identificar a localização do lago, que fica na fronteira entre os dois países e acima da passagem de fronteira de Gyirong. A enchente repentina destruiu o porto, arrastando pessoas e veículos. Segundo a imprensa estatal, 558 pessoas estão desaparecidas na região, incluindo 260 estrangeiros.
Uma equipe chinesa de oito engenheiros foi enviada para monitorar o lago. Na quinta-feira, a China alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água -o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas- deveriam chegar ao lago, ainda represado, nos três dias seguintes. Isso criava um alto risco de rompimento, com o pico da vazão previsto para terça (1º).
As autoridades chinesas determinaram ainda nesta sexta o reforço das operações de busca e pediram maior monitoramento de lagos glaciais e represados.
O Nepal está monitorando dois lagos acima da área atingida pela inundação. Um deles começou a transbordar nesta sexta-feira, segundo a Autoridade de Gestão de Desastres.
Os riscos de inundação permanecerão até que os dois lagos tenham escoado completamente, de acordo com o órgão. As autoridades nepalesas usam imagens de satélite para acompanhar as condições, embora o monitoramento seja limitado.
O país planeja instalar câmeras e sensores e está avaliando opções para transportar os equipamentos de helicóptero, afirmou a autoridade de gestão de desastres.
No Nepal, equipes de resgate estão utilizando helicópteros para procurar sobreviventes e levar suprimentos a áreas isoladas. Serviços de emergência também recuperaram dezenas de corpos arrastados pela água. As equipes continuam em força-tarefa de emergência para localizar sobreviventes nas áreas devastadas, onde alimentos e água potável começam a ficar escassos.
Apesar das ofertas de ajuda internacional, o Nepal afirmou que não precisa de equipes estrangeiras para as operações de busca e resgate. Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh pediram autorização para enviar equipes, segundo o Kathmandu Post.
A União Europeia prometeu enviar 2 milhões de euros (R$ 12 milhões) em ajuda ao Nepal. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu no X que a “ajuda humanitária imediata” contribuiria para “levar assistência vital às famílias e comunidades mais afetadas”.
Na Índia, as autoridades informaram ter recuperado sete corpos de rios que nascem no Nepal. Acredita-se que sejam vítimas das inundações.






