Como a China usa 27 espelhos para transformar o sol em ferramenta de obra a 2.200 metros de altitude e com frio de 20 graus abaixo de zero
Heliostatos instalados nas montanhas acompanham o movimento do Sol e direcionam calor para uma barragem gigantesca construída em condições extremas

A China usa 27 espelhos gigantes para direcionar a luz do Sol até a obra da barragem de Shuangjiangkou, em Sichuan.
O projeto fica a cerca de 2.200 metros de altitude, onde as temperaturas no inverno podem chegar a -20 ºC.
Os equipamentos recebem o nome de heliostatos.
Eles acompanham a trajetória solar e refletem a radiação para pontos específicos da construção.
Dessa forma, o Sol passou a funcionar como uma ferramenta de apoio no canteiro.
Por que a obra precisa de calor
Shuangjiangkou é uma barragem de enrocamento. Ela usa grandes volumes de rocha e também um núcleo interno de material argiloso.
No entanto, o frio extremo cria um problema importante.
Quando a água presente no solo congela, a compactação do material fica mais difícil. Por isso, o inverno pode reduzir bastante o tempo disponível para os trabalhos.
Nesse cenário, os heliostatos ajudam a elevar a temperatura do núcleo.
Quanto os espelhos ajudam
Segundo dados divulgados sobre o sistema, a luz refletida pode elevar a temperatura do material em alguns graus.
Além disso, em determinadas condições, o ganho térmico permite ampliar em até algumas horas o período diário de trabalho.
Assim, os 27 espelhos gigantes ajudam a reduzir o impacto do frio sobre a obra.
Como os heliostatos funcionam
Os equipamentos não ficam parados em uma única posição.
Na prática, eles acompanham o movimento do Sol e ajustam o ângulo de reflexão ao longo do dia.
Com isso, a radiação chega justamente às áreas da barragem que ficariam na sombra.
Além disso, testes realizados durante a construção mostraram ganho de temperatura na superfície iluminada e também em camadas mais internas do material.
Barragem terá 315 metros
A dimensão da obra ajuda a entender o desafio.
A barragem de Shuangjiangkou terá cerca de 315 metros de altura, o que equivale a um prédio com aproximadamente 100 andares.
Além disso, o projeto contará com quatro unidades geradoras e terá capacidade instalada de 2 milhões de quilowatts.
A estrutura também exige dezenas de milhões de metros cúbicos de material de preenchimento.
Energia para bilhões de quilowatts-hora
Quando estiver totalmente operacional, a hidrelétrica deverá produzir cerca de 7,7 bilhões de kWh por ano.
A primeira unidade geradora já entrou em operação em 2026.
Enquanto isso, a conclusão do preenchimento da barragem está prevista para 2027.
Até lá, os 27 espelhos gigantes continuam ajudando a enfrentar uma das principais dificuldades do projeto: o inverno rigoroso das montanhas chinesas.
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