A única capital brasileira cortada pela Linha do Equador tem até um estádio de futebol onde cada time joga em um hemisfério diferente

Macapá reúne o Marco Zero, o estádio Zerão e paisagens do Rio Amazonas em uma cidade dividida entre os hemisférios Norte e Sul

A única capital brasileira cortada pela Linha do Equador tem até um estádio de futebol onde cada time joga em um hemisfério diferente
Marco Zero do Equador é um dos principais cartões-postais de Macapá, única capital brasileira cortada pela Linha do Equador. (Foto: Reprodução/Agência do Amapá/Governo do Amapá)

Em uma capital brasileira, uma linha pintada no chão marca a divisão entre os hemisférios Norte e Sul.

A mesma fronteira também atravessa um campo de futebol, onde, em tese, cada time defende um lado do planeta.

A cidade é Macapá, capital do Amapá e a única do país cortada pela Linha do Equador.

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O principal símbolo dessa característica é o Monumento Marco Zero do Equador, no bairro Jardim Marco Zero, na Zona Sul da cidade.

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Monumento Marco Zero marca a passagem da Linha do Equador por Macapá e permite ao visitante ficar entre os hemisférios Norte e Sul. (Foto: Reprodução/Jorge Júnior/GEA)

Um relógio de sol de 30 metros

O governo inaugurou o obelisco em 1987. A estrutura tem 30 metros de altura e uma abertura circular no topo.

Nos equinócios de março e setembro, quando o Sol incide diretamente sobre a Linha do Equador, a luz atravessa o círculo e se projeta sobre a linha marcada no chão.

No Amapá, os dois momentos ganharam nomes próprios.

O de março é o Equinócio das Águas, por coincidir com o período de chuvas, e o de setembro é o Equinócio da Primavera.

As datas costumam ter programação cultural, com shows e rodas de marabaixo.

Os visitantes costumam posar com um pé de cada lado da linha, e guias equilibram um ovo sobre ela.

Especialistas em física, porém, dizem que o equilíbrio é questão de tentativa e erro.

Em 2024, o Marco Zero recebeu cerca de 11 mil visitantes, sendo 1.184 estrangeiros de 17 países, segundo o Governo do Amapá.

Futebol no meio do mundo

Ao lado do monumento fica o Estádio Milton de Souza Corrêa, o Zerão.

Inaugurado em 17 de outubro de 1990, com vitória do Independente por 1 a 0 sobre o Trem, ele tem capacidade para 13.680 torcedores e recebe jogos do Campeonato Amapaense, da Série D, da Copa Verde e da Copa do Brasil.

O apelido é uma referência à latitude zero.

Os encarregados pelo projeto alinharam o meio-campo do estádio à Linha do Equador, deixando metade do gramado em cada hemisfério.

Assim, os times trocariam de hemisfério no intervalo, junto com o lado do campo.

O GPS mudou a conta

Na prática, a divisão não é tão exata.

Os responsáveis pelo Marco Zero traçaram a linha com o sistema de referência usado antes do GPS. Porém, medições mais recentes indicaram que a latitude zero real fica cerca de 50 metros ao norte, segundo o professor Marcelo Siqueira, da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Entretanto, como os projetistas alinharam o meio-campo do Zerão ao monumento, a fronteira verdadeira entre os hemisférios passa perto de um dos gols, e não pelo círculo central.

O detalhe não tirou a fama do estádio, que segue conhecido como o campo onde cada time joga em um lado do mundo.

Outros cartões-postais

Macapá também reúne a Fortaleza de São José de Macapá, inaugurada em 1782 às margens do Rio Amazonas e tombada como patrimônio histórico em 1950, e a orla do rio, com o Trapiche Eliezer Levy avançando sobre as águas.

Em abril de 2025, o Governo do Amapá iniciou uma revitalização de R$ 6,6 milhões no Marco Zero.

O projeto prevê elevador, chafariz, rampa de acessibilidade, paisagismo  e iluminação cênica no obelisco.

Assista ao vídeo e conheça mais de perto o Marco Zero, a orla e outros pontos que fazem de Macapá a chamada cidade do meio do mundo:

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Angelina de Paula

Angelina de Paula

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.