Justiça suspende concurso da Câmara de Rio Verde após operação contra esquema de corrupção
Medida é anunciada dias após nova leva de prisões, incluindo o então presidente da Casa, Idelson Mendes

O Juízo da Vara das Fazendas Públicas de Rio Verde determinou, nesta segunda-feira (09), a suspensão imediata do concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde, organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (Idib).
A decisão atende a um pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO) após os desdobramentos da Operação Regra Três – Quarta Fase: Contrapartida, que investiga um esquema de corrupção e fraudes em licitações no Legislativo municipal.
Além da paralisação do certame, a Justiça ordenou o bloqueio das contas bancárias que receberam as taxas de inscrição para garantir o ressarcimento dos candidatos.
A decisão judicial baseou-se em provas colhidas pelo Gaeco Sul, que apontam que o concurso atual estava sendo gerido pelos mesmos agentes públicos envolvidos em fraudes de certames anteriores.
Segundo a magistrada responsável, a permanência desses servidores em “posições estratégicas e decisórias” compromete a lisura do processo. O Idib tem agora 48h para publicar a lista completa de inscritos no site oficial, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.
Investigações
A suspensão ocorre apenas quatro dias após a deflagração da Operação Regra Três – Quarta Fase: Contrapartida, no dia 05 de fevereiro, que resultou na prisão preventiva do então presidente da Câmara, Idelson Mendes (PRD).
Mendes, que renunciou ao cargo de comando nesta segunda-feira (09) pressionado pelos pares, é suspeito de liderar o esquema ao lado de outros dois servidores e dois advogados.
As investigações revelaram que o grupo utilizava a contratação de bancas examinadoras, via dispensa de licitação irregular, para desviar valores arrecadados com as inscrições.
Um dos pontos mais críticos apontados pelo MPGO foi o conflito de interesses de advogados da Câmara que, simultaneamente, prestavam consultoria para a empresa beneficiada pelo contrato.
Histórico de Fraudes
A Operação Regra Três teve início em 2025, focada inicialmente no delegado da Polícia Civil, Dannilo Proto, apontado como um dos articuladores de desvios que superam R$ 2 milhões. Proto teve prisão preventiva renovada nesta quarta fase.
O esquema, que começou com desvios em verbas de escolas estaduais, expandiu-se para o Legislativo, onde o grupo teria tentado emplacar diferentes instituições de ensino para simular a realização de concursos públicos e se apropriar dos recursos gerados pelas taxas pagas pelos candidatos.
Com a decisão atual, o concurso segue paralisado por tempo indeterminado enquanto as autoridades trabalham para assegurar que nenhum candidato seja financeiramente lesado.
A reportagem entrou em contato com a Câmara de Rio Verde para questionar a situação, mas foi informada que um posicionamento oficial seria emitido “em breve” através das redes sociais da Casa.
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