Ausência de Daniel Vilela, disputa de legados e promessas marcam 1º debate ao Governo de Goiás

Luis Cesar Bueno exaltou entregas federais, Marconi Perillo relembrou realizações das próprias gestões e Wilder Morais apresentou experiência técnica e empresarial como credencial

Denilson Boaventura Denilson Boaventura -
Ausência de Daniel Vilela, disputa de legados e promessas marcam 1º debate ao Governo de Goiás
Primeiro debate com os candidatos ao Governo de Goiás foi promovido pela TV Sucesso/Band. (Foto: Reprodução/LeoIran)

A ausência de Daniel Vilela (MDB), a disputa de diferentes legados e as promessas para áreas estratégicas deram o tom do primeiro debate entre candidatos ao Governo de Goiás.

Promovido pela TV Sucesso/Band neste domingo (09), o encontro reuniu Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL).

Daniel não compareceu ao debate, mas, mesmo fora do palco, tornou-se personagem recorrente da discussão, principalmente pelas críticas feitas por Marconi.

Ao longo do encontro, os três participantes também buscaram apresentar credenciais distintas para convencer o eleitor de que estão preparados para comandar Goiás.

Luis Cesar, ex-vereador de Goiânia e ex-deputado estadual, adotou como principal referência as entregas do Governo Federal em Goiás e reforçou o alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Marconi, que governou Goiás por quatro mandatos, recorreu às realizações das próprias administrações para defender propostas e sustentar que conhece os desafios enfrentados pelo estado.

Já Wilder, engenheiro civil, empresário e senador, apostou na trajetória pessoal e profissional. Ele relembrou a origem humilde e apresentou a experiência técnica e na iniciativa privada como diferencial para administrar Goiás.

Segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, transporte coletivo, desenvolvimento econômico, meio ambiente, tecnologia e terras raras estiveram entre os principais assuntos discutidos.

Logo na apresentação, Luis Cesar relembrou a trajetória política e afirmou que pretende levar para o Governo de Goiás políticas alinhadas ao Governo Federal.

Wilder falou sobre a origem humilde, a formação como engenheiro e a experiência empresarial. O candidato reconheceu não ter a mesma desenvoltura na oratória dos adversários, mas ressaltou a capacidade técnica para solucionar problemas.

Marconi utilizou a primeira participação para lamentar a ausência de Daniel. O governador voltaria a ser mencionado pelo tucano em diferentes momentos do programa.

No primeiro bloco, Luis Cesar respondeu inicialmente sobre meio ambiente. Depois, questionado sobre terras raras, defendeu que as riquezas minerais sejam tratadas como patrimônio estratégico.

O petista também se posicionou contra uma eventual entrega desses recursos aos Estados Unidos.

Wilder respondeu sobre a lei de drogas e defendeu rigor no enfrentamento às organizações criminosas. Ao tratar de inteligência artificial, afirmou que pretende incorporar a tecnologia à administração estadual sempre que houver espaço para inovação.

Marconi foi questionado sobre transporte coletivo, mas iniciou a resposta voltando a falar da ausência de Daniel. O mediador Joel Datena chegou a interrompê-lo para que respondesse ao tema proposto.

Na sequência, o tucano defendeu a ampliação de políticas de subsídio do transporte coletivo para outras regiões goianas, incluindo o Entorno do Distrito Federal.

Questionado posteriormente sobre mortes decorrentes de intervenções policiais, Marconi novamente criticou Daniel antes de abordar o assunto.

Ele defendeu a valorização das forças de segurança e afirmou que eventuais excessos cometidos por policiais devem ser avaliados pela Justiça.

Candidatos questionam adversários

O segundo bloco permitiu perguntas diretas entre os candidatos, começando por Luis Cesar, que escolheu Wilder para discutir educação.

Wilder afirmou que, em um eventual governo, não haverá o que classificou como “ideologia de gênero” nas escolas. Também prometeu premiar unidades que apresentarem os melhores desempenhos.

Luis Cesar respondeu destacando investimentos do Governo Federal em Goiás, incluindo os institutos federais, e defendeu maior valorização da Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Na tréplica, Wilder lembrou a atuação como senador em iniciativas relacionadas à autonomia da Universidade Federal de Catalão (UFCat) e da Universidade Federal de Jataí (UFJ).

Ele também citou a implantação de uma unidade da Universidade Federal de Goiás (UFG) em Cidade Ocidental.

Wilder escolheu Marconi para uma discussão sobre segurança pública. O ex-governador utilizou novamente a passagem pelo Palácio das Esmeraldas para defender o legado das próprias administrações.

Na réplica, Wilder afirmou que não permitirá retrocessos na segurança e prometeu criar mecanismos para premiar policiais pelo cumprimento de metas.

Marconi respondeu que pretende preservar medidas que funcionam atualmente, além de ampliar investimentos destinados à valorização das forças de segurança.

No último confronto do bloco, Marconi perguntou a Luis Cesar sobre infraestrutura.

O petista citou obras federais realizadas em Goiás, entre elas a Ferrovia Norte-Sul, além de investimentos em rodovias federais.

Marconi utilizou a réplica para criticar Daniel e o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), também chamado de “taxa do agro” pelos críticos da cobrança.

Na tréplica, Luis Cesar voltou a defender investimentos federais e propôs maior aproximação entre universidades, institutos federais e iniciativa privada para estimular empregos e desenvolvimento.

Saúde, infraestrutura e transporte entram em pauta

No terceiro bloco, os candidatos responderam perguntas de jornalistas e telespectadores.

Luis Cesar foi questionado sobre o cumprimento de compromissos eleitorais e novamente utilizou as universidades federais como exemplo das ações do Governo Federal.

O petista também aproveitou a resposta para criticar a ausência de Daniel, que até então havia sido alvo principalmente das manifestações de Marconi.

O tucano respondeu posteriormente sobre uma eventual retomada do Fundeinfra. Marconi afirmou que não pretende adotar a cobrança em um eventual governo e prometeu ampliar investimentos em estradas e energia.

Wilder recebeu uma pergunta sobre os problemas envolvendo o transporte coletivo no Entorno e a divisão de responsabilidades entre Goiás e Distrito Federal.

Como resposta, defendeu a industrialização da região e a geração de empregos próximos das residências dos trabalhadores.

Segundo o candidato, o desenvolvimento econômico dos municípios poderia diminuir a dependência dos moradores em relação ao mercado de trabalho de Brasília.

Marconi também respondeu sobre saúde e afirmou que pretende reorganizar a regulação e fortalecer a rede estadual.

O tucano alegou que a estrutura construída durante seus governos foi desarticulada posteriormente e colocou a recuperação da saúde entre as prioridades de uma eventual nova gestão.

Ao falar sobre obras públicas que começam e não terminam, Wilder voltou a apresentar a formação profissional como uma das principais credenciais.

O senador lembrou que é engenheiro e empresário da construção civil e defendeu uma gestão baseada em planejamento, orçamento e cumprimento de prazos.

Luis Cesar, por sua vez, foi questionado sobre as bolsas da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e afirmou que manterá o programa.

Ao mesmo tempo, defendeu a ampliação das oportunidades para estudantes ingressarem em universidades públicas e institutos federais.

Promessas para saúde, segurança e empreendedorismo

As perguntas enviadas por telespectadores levaram outros temas ao debate, entre eles escoamento da produção, saúde, empreendedorismo, educação e corrupção.

Luis Cesar respondeu sobre infraestrutura para produtores rurais e voltou a destacar investimentos do Governo Federal em rodovias que cortam Goiás.

O candidato afirmou que, em uma eventual gestão, buscará parcerias para ampliar as melhorias nas rotas utilizadas para o escoamento da produção.

Wilder recebeu uma pergunta sobre o atendimento na saúde e prometeu estabelecer parcerias com hospitais privados e entidades filantrópicas para reduzir as filas.

O senador também defendeu a criação de uma tabela própria para remunerar procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás, citando como referência uma iniciativa adotada em São Paulo pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Questionado sobre empreendedorismo, Marconi prometeu retomar o Banco do Povo, programa de concessão de crédito adotado durante suas administrações.

Em outra rodada, ao responder sobre educação integral, o tucano defendeu o fortalecimento da UEG e a retomada de convênios com escolas confessionais.

Marconi também prometeu retirar a cobrança previdenciária que atinge aposentados.

Luis Cesar respondeu sobre segurança pública e argumentou que o Estado precisa acompanhar as mudanças no perfil da criminalidade.

Segundo o candidato, além dos crimes tradicionais, as forças de segurança precisam ampliar o enfrentamento a modalidades como golpes e estelionatos praticados no ambiente digital.

Wilder encerrou a rodada respondendo sobre combate à corrupção e prometeu implantar mecanismos de compliance nas diferentes áreas da administração estadual.

O senador também afirmou que pretende formar o secretariado com nomes de Goiás, sem buscar profissionais de outros estados para ocupar os postos.

Disputa de legados chega às considerações finais

O último bloco reforçou uma característica presente durante todo o debate, com os três candidatos retomando as credenciais utilizadas para sustentar as respectivas candidaturas.

Luis Cesar contestou a ideia de que Goiás seja essencialmente um estado de direita e lembrou administrações de Darcy Accorsi, Pedro Wilson e Paulo Garcia na Prefeitura de Goiânia.

Ele também reforçou que pretende comandar Goiás mantendo alinhamento com o presidente Lula e voltou a apresentar as ações do Governo Federal como referência.

Wilder retomou a trajetória pessoal, lembrando a origem humilde, a formação profissional, o sucesso empresarial e a experiência acumulada na vida pública.

Além dos mandatos no Senado, ele destacou as passagens pelas áreas estaduais de infraestrutura, indústria e comércio como parte da preparação para governar Goiás.

Marconi afirmou que dedicou os últimos meses a visitas pelos municípios e conversas com moradores para elaborar o plano de governo.

O tucano também voltou a mencionar contribuições das administrações anteriores, mas afirmou que pretende direcionar a candidatura para o futuro, com atenção aos jovens e ao desenvolvimento de Goiás.

Assista o debate da TV Sucesso/Band com os candidatos ao Governo de Goiás

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Denilson Boaventura

Denilson Boaventura

Graduado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Especialista em Marketing, Estratégia e Inovação Digital pelo Centro Universitário Araguaia (UniAraguaia).

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