“Espero não ser um adeus”: polícia encontra carta no bolso do ex após resgate de jovem amordaçada e acorrentada

Folha localizada no cativeiro trazia mensagens à família, referência a bens e uma orientação que levantou suspeitas da polícia

Da Redação Da Redação -
“Espero não ser um adeus”: polícia encontra carta no bolso do ex após resgate de jovem amordaçada e acorrentada
Suspeito foi preso em flagrante e teve a prisão mantida pela Justiça após passar por audiência de custódia. (Foto: Divulgação/Polícia Militar)

Durante o resgate da jovem de 24 anos encontrada amordaçada e acorrentada em um cativeiro no Setor Jardim América III, em Águas Lindas de Goiás, a Polícia Militar (PM) localizou uma carta endereçada à família dela.

Escrito em uma folha de caderno, o texto levava a assinatura de Emiliane Tamara Nunes Carvalho e tinha tom de despedida. Logo no início, havia ainda um alerta para que a mãe não acionasse a polícia.

“Espero não ser um adeus. Estarei sempre em espírito”, diz um trecho da carta.

O texto também trazia orientações à mãe da jovem e mencionava bens, como a escritura de uma casa e um carro em nome de Emiliane.

“Mamãe, vai ver um advogado aí para levar os papéis do carro, casinha, todos no meu nome. O Ailton vai deixar um valor de 30-50 mil”, afirma outro trecho.

Em entrevista ao g1, o major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) de Águas Lindas de Goiás, afirmou que a análise inicial indica que a vítima teria sido obrigada a assinar a carta. A polícia também acredita que o texto tenha sido escrito próximo à data do resgate.

Segundo o major, a carta estava no bolso do suspeito e foi encontrada pelos policiais durante a abordagem.

“Ele já estava andando com essa carta na hora da abordagem, tava no bolso dele”, disse.

Emiliane foi resgatada na última sexta-feira (21). A jovem estava desaparecida desde segunda-feira (17), quando havia sido vista pela última vez por câmeras de segurança.

O suspeito, identificado como Ailton Rodrigues, foi preso em flagrante e teve a prisão mantida pela Justiça após passar por audiência de custódia no sábado (22).

Segundo a Polícia Civil (PC), o homem confessou ter dopado a ex-companheira com medicamentos antidepressivos antes de levá-la ao cativeiro. Ele deve responder pelos crimes de sequestro e porte ilegal de arma de fogo.

Em nota enviada ao g1, a defesa de Ailton afirmou que ainda é “prematura qualquer manifestação conclusiva sobre o mérito” e que “nem tudo o que vem sendo divulgado corresponde, necessariamente, à realidade dos fatos”.

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