Estudante de medicina é preso após suspeita de estuprar aluna da UFG durante festa universitária em Goiânia

Equipes da organização foram chamadas para atender jovem desacordada, sem a bermuda e sem as roupas íntimas em banheiro de acesso restrito

Natália Sezil Natália Sezil -
viatura da Polícia Militar, estudante
Imagem ilustrativa de viatura da Polícia Militar (PM) de Goiás. (Foto: Divulgação)

O que começou como uma festa universitária, no último domingo (06), acabou virando caso de polícia diante da suspeita de que um estudante de medicina tenha cometido violência sexual contra uma aluna da Universidade Federal de Goiás (UFG).

O caso repercutiu entre alunos após denúncias dos organizadores da ViraDevasta, baile funk organizado pelas atléticas Vira-Lata, de Medicina Veterinária, e Devasta, de Engenharia Ambiental e Sanitária.

O evento aconteceu no espaço Palazzo Petrovic, localizado na região Norte de Goiânia. Depois da festa, o caso logo repercutiu entre a comunidade estudantil.

Alunos ligados à organização compartilharam, em mensagens viralizadas nos grupos de conversa, que um caso de violência sexual aconteceu dentro da comemoração.

Os relatos dizem que a equipe foi chamada aproximadamente às 03h da madrugada para ajudar uma estudante que estava desmaiada dentro do banheiro.

Ao chegar lá, teriam se deparado com a vítima inconsciente, sem a bermuda e a calcinha. Um outro aluno estaria “em cima dela”. Questionado, ele teria alegado que achava que ela estava consciente.

A organização contrapõe essa versão. Nas mensagens, diz que “a menina estava completamente inconsciente, sem saber dizer seu nome, onde estava, não aguentava ficar sentada”. A suspeita do corpo estudantil é de que ela tenha sido drogada.

A equipe ainda esclareceu que o local onde ela foi encontrada não fazia parte do acesso livre da festa. Em vez disso, era um espaço voltado apenas para a produção do evento.

Os responsáveis pelas atléticas identificaram que o estudante envolvido cursa Medicina na Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Itumbiara.

A Polícia Militar (PM) foi acionada e ele foi preso em flagrante, mas liberado pouco depois.

A festa, que iria até às 04h, foi encerrada às 03h15 por conta do ocorrido. As organizações envolvidas defenderam prezar “exclusivamente pela segurança de todos” diante da gravidade do relato.

“Entendemos que não seria adequado ou responsável permitir a continuidade da programação com uma postura de aparente normalidade”, escreveram.

Apelo por segurança

Diante do ocorrido, a Atlética Vira-Lata se posicionou pedindo que o acusado fosse impedido de comprar ingressos ou entrar em outras festas universitárias promovidas por entidades ligadas à UFG.

Ainda solicitou, por meio de mensagens online, que amigos dele que se envolveram no caso também sejam alvos de medidas semelhantes.

Uma representante alegou que colegas do suspeito “não colaboraram, riram da situação e foram completamente hostis com a produção, enfatizando a todo momento que não tínhamos direito de manter o acusado no evento, exigindo que ele fosse embora” antes da chegada das autoridades.

“Não considero adequado que uma pessoa acusada de um crime dessa gravidade, ocorrido dentro de um evento universitário, possa simplesmente continuar frequentando outras festas e colocando outros estudantes em uma situação potencialmente vulnerável”, escreveu a responsável.

Notas oficiais

Depois da repercussão do caso, as Atléticas Vira-Lata e Devasta publicaram notas de esclarecimento e repúdio ao ocorrido.

As associações afirmaram ter como dever agir com seriedade, tomar as medidas cabíveis e colaborar com as autoridades competentes pelas vias legais. “Seguiremos colaborando integralmente com as investigações”.

Também repudiaram “qualquer forma de violência, abuso, assédio, importunação sexual ou qualquer conduta que atente contra a dignidade e o respeito às pessoas”.

A Atlética Demolidora, que participou como co-organizadora da festa, também se manifestou publicamente, detalhando que foi imediatamente ao local, acionou a equipe de segurança e as autoridades competentes e prestou o suporte necessário.

“Integrantes da organização também a acompanharam durante os procedimentos realizados pelas autoridades”, relatou.

E defendeu: “em nenhuma circunstância, o caráter festivo de um evento pode ser utilizado para relativizar ou justificar comportamentos dessa natureza. Festa não é espaço para impunidade”.

A Turma IV de Medicina da UEG também publicou uma nota de posicionamento, onde escreveu que o caso está sob apuração do Poder Judiciário e que condutas individuais não refletem os princípios coletivos da turma.

“Reiteramos de forma intransigente nosso compromisso absoluto com o respeito, a dignidade, a integridade e os direitos das mulheres. A violência contra a mulher, em qualquer de suas formas ou manifestações, é expressamente repudiada por todos os integrantes desta turma”, afirmou.

Esclareceu, por fim, que os amigos do suspeito, que estariam com ele na festa, não possuem relação com o curso de Medicina da UEG.

Vale mencionar que as festas universitárias promovidas por Atléticas não possuem ligação direta com a UFG.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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