Dólar e Bolsa recuam após Ibovespa disparar na véspera com resultado do 1º turno

Após forte reação ao resultado do primeiro turno, investidores realizaram lucros nesta terça-feira enquanto dólar, juros e Bolsa ajustaram posições

Folhapress Folhapress -
Mercado financeiro passou por ajustes nesta terça-feira (6), após a forte valorização dos ativos brasileiros registrada na véspera. (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Mercado financeiro passou por ajustes nesta terça-feira (6), após a forte valorização dos ativos brasileiros registrada na véspera. (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

JÚLIA GALVÃO, SÃO PAULO, (SP)- O dólar abriu em queda nesta terça-feira (6), com os investidores ainda repercutindo o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A moeda americana também recuava frente a outras divisas.

Às 15h, o dólar comercial tinha queda de 0,51%, cotado a R$ 4,976. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,34%.

A Bolsa abriu o dia em alta nesta terça-feira, dando continuidade ao movimento positivo da véspera, mas passou a cair com a realização de lucros por parte dos investidores após a forte valorização de ontem.

Às 15h02, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, operava próximo da estabilidade, aos 206.948 pontos.

Os juros futuros também continuavam repercutindo o resultado eleitoral, após registrarem forte baixa na segunda-feira (5).

Às 15h03, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,640%, queda de 0,02 ponto percentual, enquanto a taxa para janeiro de 2035 estava em 12,695%, recuo de 0,09 ponto percentual.

Na véspera, o Ibovespa fechou em alta de 7,70%, aos 206.911 pontos, no maior patamar da história, tanto em termos nominais quanto reais.

O dólar encerrou o dia em queda de 4,11%, a R$ 5,001, no maior recuo intradiário desde 2018, quando caiu 5,50% em uma única sessão.

Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, diz que a abertura desta terça mostra a continuidade da reprecificação dos ativos brasileiros, mas em intensidade menor após o movimento excepcional da véspera.

“Na minha leitura, o ponto mais importante agora é que o mercado começa a sair da reação imediata ao resultado eleitoral e passa a tentar precificar o que pode vir depois. A composição do Congresso, a sinalização fiscal e, principalmente, os nomes e propostas econômicas que surgirem ao longo do segundo turno devem ganhar cada vez mais peso”, afirma.

Segundo Mendes, depois de uma valorização tão forte em um único pregão, é natural haver realização de lucros e volatilidade.

O ambiente externo também ajuda nesta terça-feira, com queda dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo, embora a baixa da commodity pressione as ações da Petrobras, que, às 15h04, caíam 2,02%, a R$ 54,24.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, também destaca o fluxo de recursos para os ativos brasileiros.

Segundo ele, o movimento positivo continua sendo puxado pelo chamado “trade eleitoral”, com destaque para o setor financeiro, enquanto as ações de petróleo ficam na contramão devido à queda da commodity.

Moliterno diz ainda que pode haver continuidade do fluxo de entrada e reposicionamento nos ativos brasileiros diante do cenário eleitoral.

Segundo ele, o movimento também aparece no câmbio, com vendas de dólar nas mesas institucionais e entrada de recursos estrangeiros, pressionando a moeda para baixo.

A reação dos mercados ao resultado do primeiro turno refletiu a expectativa de alternância de poder e de uma condução fiscal mais sólida, na avaliação de investidores.

Esse cenário reduz a percepção de risco sobre os ativos brasileiros e aumenta o otimismo entre analistas.

O senador Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a avaliação predominante entre os investidores é de uma possível mudança em direção a uma política mais à direita e potencialmente mais alinhada a uma agenda econômica considerada favorável pelo mercado.

Entre os pontos destacados estão menor intervenção do Estado na economia, maior protagonismo da iniciativa privada e atenção à questão fiscal.

Nesse cenário, os ativos brasileiros passam a incorporar a expectativa de que o novo Congresso e o novo Senado, além de uma eventual mudança no Executivo, possam favorecer pautas econômicas mais bem recebidas pelo mercado.

Essa perspectiva ajuda a explicar tanto a forte alta da Bolsa quanto a valorização do real observadas na véspera.

No exterior, os investidores voltam a acompanhar os preços do petróleo, que, às 15h05, avançavam 0,15%, a US$ 100 com os novos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a aeroportos da Arábia Saudita.

Na noite de segunda (no Brasil), os aeroportos de Jazan e Najran foram bombardeados, deixando três pessoas feridas, segundo a autoridade-geral de Aviação Civil do país. Os houthis assumiram a autoria dos ataques.

O grupo iemenita anunciou nesta terça ter assumido o controle total do país, incluindo áreas estratégicas no Mar Vermelho.

O governo do Iêmen contesta a informação e afirma ter retomado o domínio de parte do território, como o estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico.

Enquanto os ataques dos houthis prosseguem, o Qatar afirmou que Estados Unidos e Irã ainda mantêm negociações para tentar encerrar o conflito.

As Bolsas americanas estão em alta. Às 15h05, o Dow Jones avançava 0,51%, o S&P 500 subia 0,71% e o Nasdaq tinha alta de 0,66%.

Além disso, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, recuavam após uma sequência de altas nos últimos dias.

Às 13h30, o valor máixmo do rendimento da Treasury de dez anos estava em 5,323%, queda de 0,44%, enquanto o título de 30 anos tinha rendimento de 5,680%, recuo de 0,37%.

Folhapress

Folhapress

Maior agência de notícias do Brasil. Pertence ao Grupo Folha.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.