Quanto custa construir uma casa de 2 quartos, sala, cozinha e banheiro em 2026, segundo pedreiros?

A planta parece enxuta, mas metragem, mão de obra e escolhas feitas nos últimos meses da construção podem mudar bastante a conta final

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Casa em construção
(Imagem: Ilustração/IA)

Construir uma casa com 2 quartos, sala, cozinha e banheiro parece um projeto simples, mas o orçamento pode variar dezenas de milhares de reais mesmo mantendo exatamente esses cômodos.

Em setembro de 2026, o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE em parceria com a Caixa, chegou a R$ 1.999,73 por metro quadrado na média brasileira. Desse total, R$ 1.127,17 correspondiam aos materiais e R$ 872,56 à mão de obra.

Segundo os pedreiros José Maria e Carlos Wilson, isso coloca uma residência compacta de 50 m² perto dos R$ 100 mil apenas tomando o indicador como referência. Com 60 m², a conta se aproxima de R$ 120 mil.

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Na prática, porém, os profissionais da construção alertam que calcular apenas área multiplicada pelo valor médio do metro quadrado não basta.

“Terreno, padrão dos materiais, telhado, fundação e quantidade de pontos hidráulicos e elétricos mudam o orçamento”, ponderam.

Quanto separar para uma casa simples

Referências de mercado voltadas a pedreiros, mestres de obra e pequenos construtores trabalham em 2026 com aproximadamente R$ 2 mil a R$ 2,7 mil por m² para uma residência popular entregue com acabamento simples.

  • Aplicando essa faixa, uma estimativa prática fica assim:
Tamanho aproximado Estimativa de construção
50 m² R$ 100 mil a R$ 135 mil
55 m² R$ 110 mil a R$ 148,5 mil
60 m² R$ 120 mil a R$ 162 mil
70 m² R$ 140 mil a R$ 189 mil

Uma planta de 50 m² a 60 m² já consegue comportar dois dormitórios, banheiro, sala, cozinha e uma área de serviço compacta.

A estimativa também está próxima de cálculos anteriores para uma casa simples de dois quartos em 2026, que pode ficar em torno dos R$ 120 mil quando possui aproximadamente 60 m².

Em Goiás, há uma referência ainda mais específica

Os dados de setembro do Sinapi colocaram o custo médio geral de Goiás em cerca de R$ 2.023,62 por m².

Mais interessante é que o sistema possui um projeto-padrão muito parecido com a casa descrita: uma residência popular térrea de 46 m², com sala, dois quartos, circulação, banheiro, cozinha e varanda.

Nesse modelo, o custo divulgado para Goiás variava de aproximadamente R$ 1.502 por m² no padrão baixo a R$ 2.119 por m² no padrão normal. Isso colocaria a construção-base entre cerca de R$ 69 mil e R$ 97,5 mil, conforme o padrão considerado.

A diferença para os valores de mercado acontece porque índices técnicos não representam necessariamente tudo aquilo que o proprietário precisará desembolsar até poder entrar na casa.

O que costuma fazer o preço subir

Além de tijolos, cimento e mão de obra, uma construção pode envolver projeto arquitetônico e estrutural, aprovação, instalações de água e energia, preparação do terreno e despesas que aparecem apenas no acabamento.

Piso, revestimento do banheiro, bancada da cozinha, portas, janelas, louças, metais e pintura podem alterar bastante o resultado.

Muro, portão, calçada, garagem e móveis também normalmente ficam fora da conta inicial. É por isso que o preço para construir uma casa de dois quartos pode mudar consideravelmente quando entra o acabamento completo.

O terreno é outro ponto decisivo. Um lote inclinado ou com solo que exija fundações mais complexas pode consumir uma parcela maior do orçamento antes mesmo de as paredes começarem a subir.

Por isso, para uma casa simples de dois quartos em 2026, R$ 100 mil a R$ 160 mil é uma faixa útil para planejamento de plantas entre 50 m² e 60 m², sem considerar o terreno e admitindo acabamento básico a intermediário.

Antes de fechar a obra, o mais seguro é pedir orçamento detalhado a mais de um profissional, definir exatamente o que estará incluído na mão de obra e manter uma reserva para imprevistos.

Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.