Casal encomenda móveis planejados para aproveitar uma cozinha pequena e descobre na instalação que a geladeira não consegue abrir completamente

O problema aparece só depois da montagem e mostra por que alguns centímetros esquecidos no projeto podem comprometer toda a circulação do ambiente

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
geladeira e móveis planejados
(Imagem: Ilustração)

Móveis planejados costumam ser escolhidos justamente para aproveitar cada centímetro de uma cozinha pequena. O problema é que, quando o projeto considera apenas a largura do eletrodoméstico e esquece o espaço necessário para a abertura das portas, o resultado pode ser o oposto.

Há consumidores que relatam descobrir esse erro apenas depois da instalação dos armários: a geladeira cabe no nicho, mas não consegue abrir completamente.

Isso acontece porque a medida externa do eletrodoméstico não representa todo o espaço necessário para utilizá-lo.

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Além da largura e da profundidade, é preciso prever folgas laterais, ventilação e, principalmente, o movimento feito pelas portas e puxadores.

Caber no espaço não significa funcionar

Uma geladeira pode entrar perfeitamente no vão planejado e ainda assim ficar mal posicionada.

Dependendo do modelo, a porta precisa ultrapassar a linha lateral do aparelho para abrir em ângulo suficiente. Se houver uma parede, torre de armário ou bancada muito próxima, esse movimento pode ser interrompido.

O problema fica ainda mais perceptível em modelos maiores, com duas portas ou gavetas internas que só conseguem ser totalmente retiradas quando a porta abre além de 90 graus.

Por isso, fabricantes orientam que o consumidor respeite as folgas indicadas no manual de cada modelo. Essas medidas variam e não devem ser substituídas por uma regra única.

O cuidado é semelhante ao necessário em outros projetos de móveis planejados, nos quais medir apenas o espaço disponível pode não ser suficiente para garantir o uso confortável do ambiente.

Eletrodoméstico deveria ser definido antes

Uma das formas mais seguras de evitar o problema é escolher ou ao menos definir o modelo da geladeira antes de fechar o projeto de marcenaria.

Com a ficha técnica em mãos, o marceneiro ou projetista consegue trabalhar com as dimensões reais do equipamento e com as folgas recomendadas pelo fabricante.

Também é importante considerar a profundidade.

Quando a geladeira fica muito recuada entre armários altos, a própria lateral do móvel pode bloquear o giro da porta. Em outros casos, o aparelho precisa avançar alguns centímetros em relação à marcenaria para funcionar corretamente.

A posição da geladeira ainda deve permitir que gavetas internas e prateleiras sejam retiradas para limpeza.

Esse tipo de detalhe mostra por que cozinhas pequenas exigem planejamento de circulação e não apenas tentativa de encaixar o maior número possível de armários.

Como evitar prejuízo depois da instalação

Antes da fabricação dos móveis, vale conferir pessoalmente as medidas do ambiente e comparar com o manual da geladeira.

O projeto também deve registrar qual eletrodoméstico foi considerado. Assim, fica mais fácil entender de onde veio o erro caso a instalação não funcione como previsto.

Outro cuidado é não deixar a geladeira espremida entre duas peças de marcenaria.

Além da abertura das portas, o equipamento precisa da ventilação especificada pelo fabricante para dissipar o calor gerado durante o funcionamento.

Se o problema já aconteceu, a solução dependerá da origem do erro. Em alguns casos, pode ser necessário reduzir a profundidade de uma lateral, deslocar um módulo, trocar dobradiças ou reposicionar a própria geladeira.

A situação reforça uma regra simples para cozinhas planejadas: não basta saber se o eletrodoméstico cabe no nicho; é preciso verificar se ele consegue funcionar ali.

Alguns centímetros ignorados na planta podem fazer diferença entre uma cozinha compacta bem aproveitada e um projeto caro que precisa ser alterado logo depois da montagem.

Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.