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O atraso na Política e o Terceiro Caminho

O atraso na política só será resolvido quando a sociedade mudar, quando qualificar as suas escolhas e quando realmente se enxergarem como agentes da transformação

O atraso na política, sem dúvidas, é o fator propulsor a todos os retrocessos que estão sendo arraigados no Brasil pelos últimos anos. Este atraso se resulta em profundas enfermidades na democracia, que por muitas vezes, quando disseminadas no âmago cultural da sociedade, podem ser irreversíveis e catastróficas.

O cidadão brasileiro amarga uma crise de representatividade que é individualmente percebida apenas quando os efeitos colaterais do atraso na política afetam o seu microambiente, e o indivíduo não vê mecanismos representativos para a expressão assertiva de sua indignação. A problemática é que a sociedade não percebe que os tais “efeitos colaterais” são resultado de um erro sistêmico e não apenas de um momento, que precisa ser tratado de maneira ampla e não segmentada, que o erro não está na política (no sentido real da palavra), mas sim no sistema. A sociedade, portanto, mesmo sem entender o que de fato está acontecendo, se depara com dois caminhos, na tentativa de sair do labirinto claustrofóbico da insegurança representativa

O primeiro caminho é a aversão à política, quando o indivíduo se cansa ou se sente incapaz de lutar contra o “sistema” e cria dentro de si barreiras que geram isolamentos intelectuais minando todas as discussões políticas, resultadas de uma desconfiança com tudo e de todos. Esse indivíduo é totalmente apartidário, não vota, diz que todos os políticos são corruptos e faz questão de gritar com ênfase ao mundo sua aversão política, na sua variável mais branda esse indivíduo pode ser completamente indiferente à política.

O segundo caminho é composto por pessoas mais esperançosas, que por muitas vezes gritam desesperadamente no esforço de encontrar algum oxigênio, mas não sabem o quê e nem para quem estão gritando. Esse indivíduo ainda não desistiu da política, por muitas vezes encontra nas “manifestações de rua” um mecanismo de ampliação de sua voz, mas de fato não sabe o que quer, a única conclusão que ele tem, é a de que a realidade não se configura em qualidade e precisa ser mudada.

Para se resolver o atraso na política é preciso de pessoas que sigam um terceiro caminho, que não radicalizem, e que mesmo com propósitos legítimos não ajam com subserviência intelectual. Esse terceiro caminho deve ser composto por pessoas que lutem por propósitos que não sejam superficiais, e que além de apenas protestarem contra o que está aí, participem e apresentem soluções pensadas que podem realmente mudar a situação.

O atraso na política só será resolvido quando a sociedade mudar, quando qualificar as suas escolhas e quando realmente se enxergarem como agentes da transformação.

Paulo Victor Bragança é estudante do 7º período de Publicidade e Propaganda e um dos coordenadores do Elo Estadual da Rede Sustentabilidade. Escreve todos os domingos.

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