Artigo Dáguila IFG
Na terça-feira (28) entreguei mais um atestado médico no Instituto Federal de Goiás – Campus Anápolis para fazer o semestre acadêmico do oitavo período do curso de Ciências Sociais em regime domiciliar. Eu passei pelo mesmo processo no período anterior. Não está sendo fácil para mim continuar na faculdade.
Há duas semanas, com o início das aulas, tive uma crise emocional dentro da sala. Chorei compulsivamente, não conseguia respirar direito e fui acudida por colegas e servidores. Esse episódio me fez procurar a psiquiatra novamente, que solicitou o meu afastamento do cotidiano universitário.
O quadro depressivo pelo qual estou em tratamento desde o ano passado foi desembocado por uma sequência de retaliações e omissões na instituição, a partir de uma atitude minha em informar à coordenação de curso que um professor manteve relações sexuais com uma aluna bêbada dentro de uma barraca, em um evento do curso, em 2016.
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A indignação pelo o que ocorreu com essa garota não foi só minha, mas fui a única a levar o caso ao conhecimento de autoridades do campus. O coordenador do curso, na ocasião, chegou ao despautério de tentar justificar a atitude do professor porque ele “estava sem mulher”. Um processo administrativo chegou a ser aberto, mas incrivelmente não prosperou e foi arquivado. Mal sabia eu que ali começaria a ser perseguida por ele. Comecei a ser tratada de maneira ríspida em sala de aula, tive meus trabalhos acadêmicos desqualificados diante de toda a classe e, para minha surpresa, fui reprovada na disciplina sem sequer saber as notas que tive nas avaliações.
Inconformada, pedi ao professor que entregasse as minhas provas para saber o que errei e entender o porquê da nota final na disciplina. Ele se negou. Eu requisitei formalmente a entrega do teste, bem como a recorreção do mesmo. Pressionado pela coordenação, após sucessivas insistências, ele entregou apenas uma xérox do teste ao coordenador do curso. Outro professor foi delegado para a recorreção e ficou constatado que a nota dada anteriormente era injusta e seria suficiente para a minha aprovação.
No entanto, o professor que intencionalmente havia me dado nota abaixo da merecida, percebendo que poderia se complicar junto à instituição, enganou um servidor do Departamento de Áreas Acadêmicas para ter acesso ao sistema de notas e diminuiu ainda mais a minha média final. Assim, mesmo com o acréscimo da recorreção do teste, eu permaneceria reprovada. A fraude gerou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que ainda está em andamento na reitoria do IFG, em Goiânia.
Após dois anos foi confirmada minha aprovação na disciplina, mas o meu inferno na faculdade estava longe de terminar. Mesmo ciente de tudo, a instituição não impediu que eu não tivesse mais aulas com esse professor, situação que só foi corrigida quando consegui contratar um advogado, que ameaçou levar o caso para a Justiça caso o IFG se mantivesse insensível.
A essa altura meu psicológico estava muito afetado e precisei de ajuda psiquiátrica, mas diante disso tudo o IFG passou a me ver como “um problema”. Me dói compartilhar uma situação que vivi naquele lugar, que me afetou profundamente ao ponto de eu querer tirar a minha própria vida.
Me sentindo impotente e percebendo que mais uma vez nenhuma punição seria dada a esse professor, recorri ao serviço psicológico de apoio ao aluno do IFG. A profissional que me atendeu questionou o porquê de eu “ainda estar mexendo com isso se minha nota já havia sido corrigida” e disse que eu “causava problemas” demais para a faculdade.
Aquelas palavras entraram na minha cabeça e voltei para casa disposta a não ser mais um “problema” para o IFG. Tomei todos os comprimidos receitados pela psiquiátrica para morrer. Nesse meu momento de desespero e irracionalidade, foi o que vi de horizonte para terminar de vez tanto sofrimento.
Passei dois dias em coma por overdose de remédios. Ao despertar, um resquício de esperança reacendeu em mim a força de continuar. Mas não está sendo fácil. Esperar esse longo e moroso Processo Administrativo Disciplinar ter um fim está corroendo meu psicológico. Me sinto impotente…









