Artigo Eva
Jorge Vianna, o menos pior?
Que Brasília é uma cidade cheia de histórias inacreditáveis todo mundo já sabe mas o que aconteceu nas últimas 24h com o afastamento de Renan Calheiros da Presidência do Senado e com o petista Jorge Viana chegando à Presidência da casa parece uma daquelas cenas surreais dos filmes de Quentin Tarantino.
Na Segunda, dia 05/12 o Ministro Marco Aurélio Mello, acatou o pedido da Rede Sustentabilidade para que o Supremo considerasse o que exercício dos cargos que estão na linha de substituição da Presidência da República por pessoas que sejam réus seja incompatível com Constituição Federal e como Renan se tornou réu em um processo de peculato (desvio de recursos públicos) em decisão do próprio STF semana passada, ele foi afastado.
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Renan, que em 2007 já teve que se afastar da Presidência do Senado por acusações de corrupção é também investigado em nove inquéritos da Lava Jato no Supremo mas seu afastamento veio por ter sido considerado réu em um processo que já dura mais de oito anos em que é acusado por peculato.
E é aí que entra em cena Jorge Viana, senador pelo PT do Acre, que provavelmente assume hoje como Presidente interino do Senado. Mas quem é ele?
Jorge Ney Viana Macedo Neves, 57, é natural de Rio Branco e formado em engenharia florestal pela UnB (Universidade de Brasília). Viana foi prefeito da capital do Acre entre 1993 e 1996 e governador do Estado por dois mandatos seguidos, entre 1998 e 2006. Ele é senador desde 2011. Ele também é irmão do Governador do Acre, Tião Viana e juntos conseguiram eleger o Prefeito de Rio Branco nas eleições municipais de 2016, Marcus Alexandre.
A força-tarefa da Operação Lava Jato investiga se Viana seria o “menino da floresta” que aparece na planilha de propina da Odebrecht. Ou seja, saímos de um Presidente do Senado investigado em nove inquéritos por um investigado em um inquérito na mesma força tarefa contra a corrupção.
A defesa do senador nega a acusação mas passarinho que come pedra sabe o bico que tem e já há boatos de que Viana está disposto a convocar imediatamente uma nova eleição para a presidência do Senado, caso o STF confirme o afastamento Renan, ou seja, ele não estaria disposto a se colocar sob os holofotes da imprensa e da opinião pública.
Para Roberto Romano da Unicamp ele será “Jorge, o breve” já que se não houver nova eleição para a presidência do Senado ele exercerá um mandato tampão até a próxima eleição, no início do ano que vem.
Há em setores do PT muita expectativa de que o Presidente interino retarde a votação em segundo turno da PEC 241/55, mas os analistas políticos acreditam que ele não tem o poder de aglutinar o Senado tem torno de si e que o máximo que conseguirá fazer é acatar emendas que enfraqueçam as medidas econômicas esperadas pelo Executivo.
Como a decisão do Supremo cabe recurso com certeza este não é o fim definitivo da história de Renan/Viana e a qualquer momento poderemos ser surpreendidos por mais uma reviravolta rocambolesca e surpreendente do cenário político brasileiro, um país mergulhado até o fim em uma crise institucional avassaladora.
A nós, cidadãos e eleitores fica a concordância com o afastamento de Renan e o estranhamento de que seu sucessor seja um investigado pela Lava Jato, dá aquela sensação de que não temos pra onde correr e de que não há representantes comprometidos com o povo no legislativo brasileiro.








