Mesmo demitidos ex-comissionados estão indo para Prefeitura querendo emprego

Por enquanto, muitos estão trabalhando até de graça para "mostrar trabalho" e conseguir ficar na máquina

Carlos Henrique -
Também será a primeira vez que os descontos podem chegar a 100% (Foto: Reprodução/ Prefeitura de Anápolis)

Quem passar por repartições como a Secretaria de Saúde, CMTT, Comunicação e outros órgãos da administração municipal não precisa se espantar ao ver ex-comissionados demitidos em dezembro passeando ou até trabalhando na Prefeitura de Anápolis.

São pessoas que, sem cerimônia alguma, querem voltar para as funções que desempenhavam na gestão petista ou, no mínimo, conseguir alguma colocação no sempre generoso setor público – que paga acima da média do mercado, é recheado de feriados prolongados e menos exigente que a iniciativa privada.

A sessão Rápidas do Portal 6 conversou com alguns servidores efetivos, que não estão achando nenhuma graça na esperteza. Chamou atenção um depoimento de uma servidora da Secretaria da Saúde:

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“Não deixa de ser irônico eles aparecerem aqui porque a maioria fez campanha ferrenha para o PT e agora querem voltar como se nada tivesse acontecido. Quem estudou para estar aqui por concurso público se sente impotente e até desrespeitado”.

Em entrevista após a posse do secretariado, no dia 1º de janeiro, o prefeito Roberto Naves (PTB) antecipou que seriam necessários cortes entre 25% e 30% nas despesas para cobrir o rombo mensal de R$ 7 milhões nas contas públicas.

O Portal 6 solicitou nota do gabinete do prefeito, que classificou a situação como uma “busca natural por uma ocupação profissional”. Na íntegra, veja as respostas dadas às seguintes perguntas feitas pela Rápidas:

O prefeito tem ciência desses acontecimentos?

O prefeito está empenhado em acompanhar a recuperação da infraestrutura da cidade além de participar de reuniões políticas junto aos governos estadual e federal para buscar recursos que possibilitem a resolução de assuntos importantes para a cidade como a questão do abastecimento de água, o reforço na segurança pública e instalação de novas indústrias para gerar mais empregos. Porém, em reuniões frequentes com os secretários, ele tem recebido as informações sobre o dia a dia da máquina pública.

Que atitude tomou ou vai tomar em relação ao trânsito de pessoas nas repartições públicas municipal?

A Prefeitura é um órgão público e como tal está aberto a receber qualquer cidadão. Todas as secretarias estão a disposição para atendimento à população. Não é possível, portanto, limitar a entrada de qualquer cidadão anapolino dentro dos órgãos municipais. Entendemos como natural a procura dos profissionais que foram exonerados pela administração anterior em busca da sua atividade. Aqueles que são fundamentais para o funcionamento da máquina poderão ser reaproveitados, considerando sempre que o momento é de contenção dos gastos públicos.

A presença dos ex-servidores atrapalham o trabalho dos chefes e novas equipes?

Não porque a maioria dos chefes e novas equipes não está fechada nos gabinetes mas em operação nas ruas.

Esse tipo de assédio encontrará ressonância na nova administração?

Não. Embora não encaramos esse tipo de procura como assédio, mas sim como uma busca natural por uma ocupação profissional. A Prefeitura trata todos os ex-colaboradores com respeito e agradecimento pelo serviço prestado anteriormente.

Há ex-comissionados que estão trabalhando, com a permissão dos novos chefes, mesmo não sendo nomeados pelo prefeito. A estratégia é tentar conseguir “mostrar trabalho” e conseguir ser nomeado. O prefeito Roberto Naves foi informado sobre isso? Que avaliação tem sobre essa situação?

A orientação do prefeito é que todos os colaboradores que estejam em atividade pela prefeitura sejam regulamentados de acordo com a legislação. A prefeitura precisa dar o exemplo oferecendo aos seus colaboradores a segurança trabalhista exigida em Lei. Qualquer acontecimento que não siga os caminhos lícitos está irregular e não tem a aprovação do executivo municipal. Dessa forma, solicitamos aos profissionais e a própria população que, caso seja detectada alguma irregularidade, entrem em contato com a ouvidoria municipal ou com a Secretaria de Gestão de Recursos Humanos para que as providências legais sejam tomadas.

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