Como organização criminosa em Anápolis conseguia roubar caminhões e dar prejuízo de R$ 40 milhões

Práticas tenebrosas, que contavam com participação de empresários, vão de sequestros a fraude em sistemas de informática do DETRAN

Danilo Boaventura -

As polícias Civil e Rodoviária Federal escolheram o nome “Zayn”, de origem árabe, para batizar a operação que desde às 04h da manhã cumpriu 20 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão em Anápolis, principal cidade alvo e com maior número de integrantes de uma organização criminosa que contava até mesmo participação de empresários.

Há 18 meses a inteligência da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (DECAR) identificou e passou a monitorar os bandidos responsáveis por dezenas de crimes cometidos em Goiás e mais quatro estados. As práticas são tenebrosas e vão de sequestros, furtos e roubos de carga a adulteração veicular, falsificação de documentos, fraude em sistemas de informática de DETRANs e enriquecimento ilícito.

Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa atuava de maneira sofisticada e tinha divisões por núcleos de logística, de motoristas profissionais e criminosos armados. Seus chefes, segundo a corporação, lideravam o esquema e amealhavam patrimônio considerável.

Sedução na estrada

O roubo de caminhões, para consequente adulteração chassis e números de motor, contava com a participação de jovens mulheres bonitas. Colocadas a beira da estrada de maneira provocante, elas eram usadas como iscas pelo criminosos para que caminhoneiros parassem oferecendo “carona”.

Assim, eles eram surpreendidos por criminosos armados e levados ao cativeiro. Enquanto o motorista era mantido em cárcere, tanto a carga como os veículos eram negociados com receptadores. Já com o veículo vazio, os bandidos efetuavam adulterações que modificavam os identificadores veiculares (como chassis e números de motor).

Como passo seguinte, a organização criminosa conseguia inserir nos sistemas de trânsito dos DETRAN’s os dados falsos, criando um veículo novo a partir de um roubado, podendo negociá-los como “veículos de boa procedência”.

De acordo com a DECAR, outra estratégia usada pelos criminosos era enganar distribuidores e comerciantes, desviando os carregamentos, que eram revendidos.

A investigação estima que o grupo seja responsável por mais de 80 roubos, representando um prejuízo de cerca de R$ 40 milhões, entre carga e veículos, por ano.

Balanço

Mesmo revelando detalhes surpreendentes da investigação, e da própria operação, o nome dos envolvidos e presos no esquema, por enquanto, não foram informados pela Polícia Civil. No entanto, a reportagem do Portal 6 solicitou a relação e aguarda a possibilidade de envio por meio da assessoria de imprensa da corporação.

Todo o trabalho empreendido, que resultou na força tarefa de hoje, resultou no cumprimento de 97 medidas cautelares, sendo 35 mandados de prisão e 62 de busca e apreensão. Todos foram cumpridos em sincronia nos estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Pará e Rondônia.

(Foto: Divulgação/ DECAR)

Os presos estão sendo encaminhados à sede da Delegacia da PRF, no Jardim Guanabara, para exames de corpo de delito.

A concentração da Operação Zayn ocorreu às 4h, na sede do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em Goiânia, e foi acompanhada pelo Ministério Público. A operação contou com cerca de 340 policiais civis e rodoviários federais.

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