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Reviravolta no caso em que pai foi morto no aniversário da filha em Anápolis

Cleiton Lobo, titular da Delegacia de Homicídios. (Foto: Rafaella Soares)

História envolve bandido ‘barra pesada’ que comandava quadrilha de dentro da cadeia, vingança contra mulher e engano dos assassinos

O Grupo de investigação de Homicídios (GIH) de Anápolis conseguiu esclarecer, de maneira surpreendente, um dos crimes que mais horrorizaram a cidade no início deste ano.

No dia 12 de fevereiro Rodrigo Clever de Carvalho Barbosa, de 29 anos, teve a residência no JK Nova Capital invadida durante o aniversário da filha dele, que comemorava cinco anos.

O jovem foi alvejado por dois disparos e não resistiu. Já a criança, também baleada, foi socorrida no Hospital Estadual de Urgências de Anápolis.

Os detalhes apresentados na elucidação do crime, que antes parecia ser apenas uma tentativa de latrocínio, chamam a atenção pelo fato da vítima ter morrido por engano e a ação ser encomendada de dentro da cadeia pública de Anápolis por um bandido bem ‘barra pesada’.

Vítima, Rodrigo Clever morreu por engano. (Foto: Reprodução)

Para entender melhor essa história é necessário voltar em outubro de 2017, quando a vítima mudou-se de Brasília para a casa onde ocorreu o crime.

A casa

Anteriormente, Nicleibe da Silva Azevedo morava nesta residência. Ela fazia parte de uma quadrilha especializada em roubo de cargas, cujo chefe era Wanderson da Silva Cariranha, preso no Centro de Inserção Social de Anápolis. E era de lá que ele comandava as ações do grupo.

Em novembro do mesmo ano a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Anicetus, que prendeu os integrantes do grupo de Wanderson. Ao saber que Nicleibe revelou em depoimento que Wanderson era o líder, o criminoso contratou Yuri Marcel Borges da Silva e Luiz Fernandes Martins de Oliveira para matá-la.

Segundo o delegado Cleiton Lobo, Yuri e Luiz Fernandes foram à residência no bairro JK Nova Capital, na região Leste de Anápolis, sem confirmar que Nicleibe ainda morava no local.

“Para disfarçarem, os dois foram à residência acompanhados de duas garotas e portando pistolas calibre 9mm. Lá, tentaram pular o muro, mas apenas Yuri conseguiu entrar na residência e atirou contra Rodrigo Clever e sua filha. Após o crime, os dois, na companhia de duas garotas, fugiram num veículo Renault/Duster de cor branca”, detalhou.

Mesma arma

Conforme o delegado, além de provas testemunhais e imagens de circuito de segurança, foi possível comprovar a participação de Yuri a partir do laudo de confronto microbalístico.

A arma utilizada no assassinato em Anápolis foi apreendida durante um latrocínio no dia 25 de fevereiro, na cidade de Caldas Novas. Nesta ocasião, Yuri foi preso juntamente com outras pessoas, mas Luiz Fernandes conseguiu fugir.

Poucos dias depois, Luiz Fernandes foi preso dirigindo um carro roubado em Itapuranga. Atualmente, ele encontra-se preso na cadeia de Jussara.

“Diante dos elementos de prova colididos, representamos pela prisão preventiva dos autores, sendo deferidas pelo Poder Judiciário e cumprimos os mandados no último dia 04 de dezembro nos locais onde eles já estão presos”, explicou Cleiton Lobo.

Yuri, Wanderson e Luis Fernandes. (Foto: Divulgação/ Polícia Civil)

O inquérito, de acordo com o delegado, foi enviado ao Poder Judiciário na quarta-feira (12), com o indiciamento dos acusados.

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