Bolsonaro abandona entrevista após pergunta de humorista sobre rachadinha

"Não vou aceitar provocação tua, recolha-se aí ao teu jornalismo, não vou aceitar", disse o presidente da República

Folhapress -
Bolsonaro sai de entrevista após pergunta sobre rachadinhas (Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República)

 O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) abandonou uma entrevista do programa Pânico da Jovem Pan, nesta quarta-feira (27), após ser cobrado pelo comediante André Marinho a responder a uma pergunta sobre “rachadinha” e em meio a um bate-boca dos participantes da transmissão.

O desentendimento começou porque Marinho havia perguntado antes, sem citar o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), se quem pratica rachadinha deveria ser preso.

Já irritado, o presidente disse que não iria responder nem cair em provocação. Bolsonaro participava da entrevista por vídeo, de Manaus.

O presidente afirmou ainda que o pai do comediante, o empresário Paulo Marinho, estaria interessado no cargo do senador.

“Marinho, você sabe que eu sou presidente da República e eu respondo sobre os meus atos, tá ok? Então não vou aceitar provocação tua, você recolha-se aí ao teu jornalismo, não vou aceitar”, disse Bolsonaro.

“O teu pai é o maior interessado na cadeira [no Senado] do Flávio Bolsonaro. O teu pai quer a cadeira do Flávio Bolsonaro”.

Paulo Marinho é suplente de Flávio Bolsonaro e foi um dos principais apoiadores do presidente em 2018. Depois, rompeu com o clã e se filiou ao PSDB.

No ano passado, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, disse que o senador soube com antecedência que a Operação Furna da Onça, que atingiu a ele e Fabrício Queiroz, seria deflagrada.

Flávio foi acusado pelo Ministério Público fluminense de operar um esquema de devolução de salários em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em agosto, o ministro João Otávio de Noronha, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), determinou a suspensão da investigação contra o senador, o policial militar aposentado Fabrício Queiroz e outros 15 investigados no caso.

Depois do episódio na Jovem Pan, Paulo Marinho divulgou nas suas redes sociais um vídeo endereçado a Bolsonaro. “Quem quer o mandato do Flávio é o Ministério Público, capitão, não sou eu”, disse.

O empresário lembrou ainda do ex-ministro Gustavo Bebianno, um dos homens fortes da campanha de 2018 com quem Bolsonaro acabou rompendo depois. Bebianno morreu em 2020.

“Quando você estiver chorando no banheiro do Palácio [do Alvorada], lembra dele [do Bebianno], capitão. Ele não te esqueceu”, afirmou.

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 02 do presidente, também é investigado pelo Ministério Público do Rio por suspeita de “rachadinha”.

A insistência de Marinho para que Bolsonaro respondesse à pergunta sobre rachadinha levou a um bate-boca com o comentarista Adrilles Jorge. Bolsonarista, ele havia feito um questionamento anterior a Bolsonaro sobre como o mandatário consegue “enfrentar onda gigantesca de desinformação” contra ele da “hegemonia narrativa progressista”.

“O PT não pode voltar, então por favor responda a pergunta, cara, que eu te fiz. Você só quer pergunta de bajulador?”, disse André Marinho a Bolsonaro. Ele ainda debochou da recente fala em que o presidente disse por vezes chorar sozinho no banheiro.

“O meu pai não chora no banheiro não”, afirmou o comediante.

Visivelmente irritado com a situação, o chefe do Executivo ameaçou abandonar a entrevista, mas seu áudio estava desligado no programa. Foi possível ouvir o que ele disse na transmissão feita pelo Facebook de Bolsonaro.

“Olha só, se o Marinho entrar novamente… Atenção, se o Marinho entrar novamente eu vou embora. Se o Marinho entrar na tela mais uma vez eu vou embora. Se o Marinho entrar na tela mais uma vez eu vou embora. Acabou”, disse o presidente, ao se levantar e deixar a tela.

A saída de Bolsonaro causou desconforto entre os participantes e Marinho foi acusado pelo apresentador Emílio Surita de querer “lacrar” no programa. Ele se queixou de que a entrevista, que ocorreu na estreia da TV da Jovem Pan, vinha sendo negociada durante a semana e se desculpou à audiência.

A entrevista interrompida foi a segunda de Bolsonaro para a Jovem Pan nesta quarta-feira. Mais cedo, criticou ação que pede cassação de sua chapa com Mourão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e disse que a Petrobrás só dava dor de cabeça.

Depois da entrevista interrompida, Paulo Marinho divulgou nas suas redes sociais um vídeo endereçado a Bolsonaro.

“Quem quer o mandato do Flávio é o Ministério Público, capitão, não sou eu”, disse.

O empresário lembrou ainda do ex-ministro Gustavo Bebianno, um dos homens fortes da campanha de 2018 com quem Bolsonaro acabou rompendo depois. Bebianno morreu em 2020.

“Quando você estiver chorando no banheiro do Palácio [do Alvorada], lembra dele [do Bebianno], capitão. Ele não te esqueceu”, afirmou.

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