Davi Alcolumbre nega atuação em ‘rachadinha’ e diz que cobrará investigação

Segundo matéria publicada na Veja, o ex-presidente do Senado recebeu pelo menos R$ 2 milhões por meio do esquema

Folhapress -
Senador está sendo acusado de “rachadinha” (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) disse nesta sexta-feira (29) desconhecer o esquema de “rachadinha” em seu gabinete revelado pela revista Veja. Em nota, o ex-presidente do Senado afirmou não ter envolvimento com as relatadas.

“Nunca, em hipótese alguma, em tempo algum, tratei, procurei, sugeri ou me envolvi nos fatos mencionados, que somente tomei conhecimento agora, por ocasião dessa reportagem. Tomarei as providências necessárias para que as autoridades competentes investiguem os fatos”, diz o texto.

De acordo com a revista, Alcolumbre recebeu pelo menos R$ 2 milhões por meio do esquema. A publicação diz que seis moradoras do Distrito Federal foram contratadas como assessoras do parlamentar, mas que nunca trabalharam para o Senado.

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Elas tinham vencimentos entre R$ 4 mil e R$ 14 mil, porém, não recebiam os valores de forma integral.
Após serem admitidas, diz a revista, as funcionárias fantasmas abriam uma conta em um banco e entregavam o cartão a uma pessoa de confiança do senador que sacava os salários e benefícios a que teriam direito.

Em troca, elas recebiam uma gratificação que, às vezes, não chegava a 10% do salário. Segundo a Veja, a prática começou em janeiro de 2016 e funcionou até março deste ano. O senador presidiu a Casa de 2019 a 2021.
Os relatos à revista foram feitos pelas próprias mulheres.

Marina Ramos Brito dos Santos, Lilian Alves Pereira Braga, Erica Almeida Castro, Larissa Alves Braga, Jessyca Priscylla de Vasconcelos Pires e Adriana Souza de Almeida dizem que aceitaram a proposta pois passavam por dificuldades financeiras e estavam desempregadas.

Marina, que diz ter sido exonerada sem aviso prévio quando estava grávida, contou que o convite para atuar no esquema foi feito pelo próprio Alcolumbre.

“O senador me disse assim: ‘Eu te ajudo e você me ajuda’. Estava desempregada. Meu salário era mais de 14 mil, mas topei receber apenas 1 350 reais. A única orientação era para que eu não dissesse para ninguém que tinha sido contratada no Senado”, relatou à revista.

Além de Marina, Larissa e Lilian foram dispensadas do gabinete durante a gravidez. Elas entraram com uma ação na Justiça contra Alcolumbre, na qual anexaram documentos que mostram o vínculo que tiveram com o gabinete do parlamentar.

Entre os documento, de acordo com a revista, há extratos bancários que comprovam que alguém realizava os saques das contas das ex-funcionárias assim que o pagamento era creditado. As retiradas eram feitas em um caixa eletrônico que fica a 200 metros do gabinete do senador.

Atualmente, Alcolumbre preside a CCJ (Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça), uma das mais importantes do Senado. Nos últimos meses, ele tem sido criticado por travar a votação da indicação de André Mendonça para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Ainda na nota, ele afirmou que a reportagem se trata de uma “orquestração por uma questão política e institucional da CCJ e do Senado Federal”.

O esquema da “rachadinha”, que consiste na prática de um servidor público ou prestador de serviços da administração desviar parte de sua remuneração a políticos e assessores, também já foi denunciada em outros gabinetes, como no caso do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), quando era deputado estadual no Rio, e no do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

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