Credores tentam destituir presidente do conglomerado Itapemirim para receber dívida

Recentemente a empresa de Transportes Aéreos pegou milhares de clientes desprevenidos ao anunciar às vésperas das festas de final de ano a suspensão das atividades

Folhapress -
Sidnei Piva, presidente do Grupo Itapemirim, em frente à aeronave da frota da empresa (Foto: Divulgação)

Um grupo de credores com uma dívida a receber da ordem de US$ 16 milhões (R$ 91,1 milhões) junto ao Grupo Itapemirim tem buscado na Justiça destituir Sidnei Piva do cargo de presidente do conglomerado na tentativa de reaver os valores devidos.

Segundo John Schulz, sócio da Queluz Asset Management, desde que assumiu junto com seus sócios a operação da Itapemirim, em 2017, Piva não pagou nenhum valor da dívida contraída junto a um grupo de cerca de 40 investidores liderados pela gestora, mesmo após acordos estabelecidos entre as partes em 2019.

“Durante os últimos cinco anos com Sidnei à frente do negócio, não recebemos um tostão”, se queixa o sócio da Queluz Asset Management.

A companhia diz que negocia acordo com o credor e que aguarda decisão judicial sobre o valor da dívida, e que o Tribunal de Justiça de São Paulo negou o afastamento de Piva.

O empréstimo foi feito em 2006 para a Viação Itapemirim, na época ainda comandada pela família Cola, em um valor de aproximadamente US$ 45 milhões (R$ 256,3 milhões). Em 2016, quando a empresa entrou com seu pedido de recuperação judicial, cerca de um terço da dívida ainda não havia sido quitada, valor que segue em aberto até agora, afirma Schulz.

Em meados de 2019, em assembleia com os diversos credores do grupo de transportes -entre eles, Banco Mercantil, CCB Brasil e Raízen-, ficou acertado acordo entre as partes segundo o qual a empresa iria se desfazer de alguns de seus imóveis para arcar com as obrigações devidas.

“Só que o acordo não foi cumprido. Os imóveis foram vendidos, mas não recebemos nada”, afirma o sócio da gestora.

“Estamos pleiteando na Justiça desde o início do ano tirar Sidnei do comando da empresa, já que aparentemente ele não é idôneo, uma vez que não cumpriu o que foi acordado com os credores”, diz Schulz.

“A empresa ainda existe, sai dinheiro do caixa para uma aventura na aviação, e os credores não recebem?”, questiona.

Nesta sexta (17), a Itapemirim Transportes Aéreos, que começou a operar em junho, pegou milhares de clientes desprevenidos ao anunciar às vésperas das festas de final de ano a suspensão das atividades.

Consumidores com passagens já compradas se queixam de a empresa não ter prestado de auxílio nas últimas horas desde o anúncio.

Em nota, o Grupo Itapemirim afirma que negocia acordo com o grupo credor e que aguarda decisão da Justiça sobre o valor, uma vez que a dívida é em moeda estrangeira.

“Por fim, em relação ao pedido de destituição da atual gestão o Tribunal de São Paulo afastou tal pleito”, afirma.

Sobre o cancelamento dos voos, neste sábado (18) a Itapemirim informou que prioriza a reacomodação em voos de outras companhias dos passageiros que precisam retornar para casa.

“Os demais passageiros com viagens de ida e volta, que se encontram em sua cidade de domicílio, serão atendidos prioritariamente com reembolso total dos valores pagos”, afirmou, em nota.

A companhia orienta os passageiros a entrar em contato pelo email [email protected] ou diretamente com sua agência de viagem e a não irem a aeroportos.

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