É crime? Estudantes recorrem a método duvidoso para se formar na faculdade

Empresas especializadas oferecem serviço para universitários e cobram valor alto pelo trabalho

Da Redação -
(Foto: Álvaro Henrique / Secretaria de Educação do DF)

Com prazos determinados, horário marcado e até relatório Anti-plágio, o comércio para realização de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) tem virado uma prática cada vez mais comum entre os estudantes goianos. 

Basta uma simples pesquisa nas redes sociais para encontrar uma diversidade de anúncios em sites afirmando vender uma monografia pronta. 

No entanto, o processo para adquirir o trabalho não é tão simples quanto parece e requer até mesmo um agendamento prévio. 

Para entender melhor o funcionamento da negociação, o Portal 6 conversou com algumas empresas de Goiânia que realizam a prática. 

O estabelecimento “Acadêmicos”, nome fictício, enviou por WhatsApp uma mensagem explicando como seria realizado o processo e quais seriam os valores para a realização do TCC.

“Para desenvolver o projeto todo, o valor do pacote é de R$ 950 dividido em duas parcelas. A primeira é paga quando iniciamos e a segunda quando terminamos e estiver tudo ok”, revelou a proprietária. 

De acordo com ela, o orçamento tem validade máxima de dois dias, podendo haver alteração no valor, caso ocorra uma demora na resposta e um aumento na demanda existente no momento. 

“Pode ser que você entre em contato comigo em agosto ou setembro, por exemplo, e eu já não consiga fazer esse valor para você, já que nós temos limites de trabalhos para pegar. Nesse caso, ou aumentamos o valor ou não pegamos o serviço”, diz. 

Em seguida, ela ainda revela que, na empresa, é possível os clientes realizarem uma visita na casa da proprietária para acompanhar de perto o procedimento. 

“O nosso diferencial é que a maioria das empresas que estão por aí não querem contato com o aluno. No meu caso, você pode vir na minha residência, realizar o pagamento e até acompanhar o processo”, afirma. 

Já em outra empresa, chamada “Mono Goiás”, nome fictício, o procedimento funciona praticamente da mesma forma. 

Por lá, é possível realizar transferências normais ou via Pix, sendo necessário fazer o pagamento de uma parte, no valor de R$ 600,  no início do trabalho e a outra na entrega final. 

Em anúncio nas redes sociais, a empresa ainda relata que os atendimentos são realizados por meio de WhatsApp, site ou presencialmente, dependendo da disponibilidade e interesse do cliente. 

“Nosso objetivo é ajudar o estudante e acadêmico, apoiando nas suas variadas atividades”, asseguram.

(Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

(Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

Afinal, é crime?

De acordo com o delegado do 9º Distrito Policial, Washington da Conceição, caso não ocorra a prática de plágio, o ato não é ilegal.

“Não chega a catalogar um crime. É mais uma questão de desonestidade e cultural. Se o cara terceirizou o serviço não tem como provar na maioria dos casos”, explica.

Segundo Washington, é necessário que haja um procedimento administrativo na universidade a fim de apurar o conhecimento ou não do aluno sobre a temática proposta.

“A própria instituição pode instaurar um procedimento interno para apurar isso. Cabe a eles saber se o aluno sabe sobre o trabalho. Algo que muitas vezes, a própria universidade não realiza por medo de queimar o nome dela”, complementa.

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