Anápolis tem 10 crianças à espera de adoção, mas processo pode ser demorado

Além dos entraves burocráticos, dificuldade com pessoal aumenta tempo de espera

Lucas Tavares -
Filas de adoção são demoradas pela burocracia e pelo desejo das famílias por crianças menores. (Foto: Reprodução/UniCEUB)

Dez crianças e adolescentes, entre um ano e dez meses e 17 anos, estão à espera de uma família, em Anápolis. Em 2022, quatro já foram adotadas, enquanto oito aguardam o processo ser finalizado.

Apesar da burocracia de todas as etapas do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), um dos principais motivos para a lentidão é o desejo apenas por crianças menores.

Quem confirma esta informação é o juiz da comarca de Anápolis e coordenador da Infância e Juventude no Estado de Goiás, Carlos José Limongi Sterse.

“Temos muitas famílias interessadas. Mas o interesse maior é em crianças de zero a 04 anos. O que faz com que a fila de adoção demore mais para andar”, disse ao Portal 6.

De acordo com o magistrado, há um esforço das entidades responsáveis, como o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), de mudar a mentalidade sobre adoção tardia.

“Tentamos reverter na formação. A pessoa que vai se inscrever faz um curso no TJ. É discutido e mostrado como funciona, desmistificando a questão de que adotar de crianças mais velhas não dá certo”, afirmou.

Dados comparados de 2021 e 2022 mostram que as tentativas vêm funcionando. No ano passado, a média de idade de crianças adotadas foi de 05 anos e 05 meses.

Já neste ano, até o mês de junho, o número subiu para 08 anos e 06 meses. Um dos adolescentes a ganhar um novo lar tinha 15 anos quando o processo foi finalizado.

Processo de adoção

Muito se fala que o processo para se habilitar para adoção é demorado. Mas, segundo o juiz Carlos José Limongi Sterse, é bem simples e rápido.

“Não é complicado. A pessoa vai fazer comprovação do endereço, estado civil, renda. Vai ser avaliado por assistente social e pedagoga, vão avaliar a situação psicológica para ver se estão aptos. Faz o curso e aguarda para concluir a adoção”.

Ele afirma que outro grande problema, é a falta de servidores contratados para contribuir nas etapas. Mas, se tudo correr bem, o processo termina em pouco tempo.

“No máximo de três a quatro meses [para concluir]. Hoje há um gargalo na equipe técnica que faz a entrevista. Há sobrecarga de trabalho”, continua.

Por fim, ao falar sobre a questão de renda, o magistrado afirma que pessoas com renda baixa também podem adotar. “Tem que ter o mínimo para a criança”.

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