“Governo quer fazer a categoria de palhaço com auxílio-caminhoneiro”, diz presidente de sindicato em Goiás

Aprovada no Senado, proposta tramita na Câmara dos Deputados e deve ser votada ainda nesta semana

Emilly Viana -
Presidente do Sindicato quer que novas medidas sejam tomadas para conter o aumento dos combustíveis. (Foto: Divulgação) (Foto: Divulgação)

Os caminhoneiros autônomos de Goiás não concordam com a tentativa do Governo Federal de criar o auxílio de R$ 1 mil para o segmento. A proposta, aprovada em dois turnos no Senado e encaminhada à Câmara Federal para votação ainda nesta semana, tenta controlar o aumento nos custos da categoria devido às altas no preço do óleo diesel.

Ao Portal 6, o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Goiás (Sinditac), Vantuir Rodrigues, assegurou que os repasses não resolvem o problema e que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta utilizar os caminhoneiros para fins eleitorais.

“Seja R$ 1 mil ou R$ 400, como já foi colocado, não vai mudar nada. O governo quer fazer a categoria de palhaço com esse auxílio, aproveitando para usar os trabalhadores em ano de eleição”, aponta.

Para ele, a prioridade do Executivo e Legislativo deveria estar em fiscalizar e fazer cumprir a lei do frete mínimo. Reivindicação antiga da categoria, a tabela deste valor foi sancionada em 2018 pelo então presidente Michel Temer, após a greve dos caminhoneiros que durou mais de 20 dias e bloqueou diversas rodovias no país.

“Fechamos as estradas lá atrás e a lei não está sendo cumprida. É só um exemplo de que não precisamos de ajuda que vem de auxílio, mas que o Governo cumpra com o que prometeu e invista em medidas que façam diferença”, argumenta.

A categoria, porém, descarta realizar novas paralisações. “Não adianta. Agora só paramos os demais trabalhadores pararem também”, completa.

Redução no ICMS

Na semana passada, seguindo lei federal, os combustíveis tiveram redução no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em Goiás. No caso do óleo diesel, além da diminuição na alíquota de 16 para 14%, o imposto será calculado, até o fim deste ano, sobre a média dos preços praticados nos últimos 60 meses.

Segundo o presidente do Sinditac, a medida não fará efeito, pois é paliativa. “Se você tira a receita dos estados de um lado, eles compensam em outro. O diesel está bem mais caro que a gasolina, isso não mudou, e olha que é o combustível que faz a cadeia girar e afeta o poder de compra do consumidor diretamente”, avalia.

A solução, de acordo com Vantuir Rodrigues, é fim do Preço de Paridade Internacional (PPI), política adotada pela Petrobrás. O índice inclui custos de importação, que incluem transporte e taxas portuárias, no cálculo dos combustíveis. “Eles não retiram esse absurdo porque grandes bancos e acionistas da estatal estão ganhando dinheiro com ele”, afirma.

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