Presença feminina dispara nos clubes de tiro de Goiânia

Principais motivos apontados para aumento da adesão são autodefesa e rotina estressante

Emilly Viana -
Mulheres filiadas a clubes de tiro em Goiânia chegam a 40% (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal)

Há oito anos no ramo de tiro esportivo, o empresário Thiago Marques viu a demanda crescer em 20 vezes de 2020 para cá. Naquele ano, a academia que ele administra em Goiânia possuía pouco mais de 50 filiados e, agora, este número já chega a mil frequentadores fiéis.

Segundo Thiago, o relevância no aumento está, sobretudo, na presença feminina no clube, que hoje representa 40% dos filiados.

“Em 2020, a frequência das mulheres era de contar nos dedos, já que muitas vinham acompanhando seus companheiros. Hoje são mais de 400 filiadas, chegando também por si mesmas”, afirma.

A alta na busca por parte delas, de acordo com o administrador, ocorre por três fatores. “Quando visitam o ambiente, acabam quebrando o preconceito de hegemonia masculina com a área. Depois costumam buscar a academia para desestressar da rotina, mas principalmente para se habilitar e se defender”, expõe.

É o caso da agropecuarista Anna Júlia Carneiro, de 39 anos. Ela foi a um clube pela primeira há cinco anos, por conta própria, após a propriedade rural do pai ser invadida.

“Eu estava ausente no dia, mas me imaginei sozinha naquela situação. Me senti muito indefesa. Até pensando em outros tipos de violência, fui atrás de conhecer e acabei me apaixonado pela área”, relata.

A atiradora conta que ficou surpresa ao notar que haviam mais pessoas como ela. “Eu imaginava que era um local somente de homens, só que fui surpreendida. Além de muitas mulheres, os clubes também são um local bem familiar, com pais e filhas, maridos e esposas”, descreve.

Para Anna Júlia, o tiro esportivo foi uma ‘paixão à primeira vista’. “No começo foi muita emoção, senti a adrenalina lá em cima. Porém, até chegar o momento que peguei no armamento, eu estudei muito, e pessoas me acompanharam de perto. Foi que o desmistificou o tiro para mim e me fez gostar tanto”, descreve.

Para frequentar

Nos clubes, conforme Thiago Marques, as alunas aprendem de regras de segurança no uso da arma de fogo a técnicas de defesa. Entender e praticar as normas das diversas modalidades de tiro esportivo também serão necessárias se o objetivo é se tornar uma atiradora.

“Nesse segmento, o mais importante é ter conhecimento. Seguindo todas as regras e utilizando as proteções, o perigo é mínimo”, assegura.

Para frequentar os clubes, é necessário ter mais de 18 anos ou, no caso de menores desta idade, autorização judicial. Além disso, a pessoa não pode responder a processo criminal.

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