Bancada evangélica fecha acordo para novo presidente após eleição frustrada

Definição foi comunicada durante culto na Câmara dos Deputados

Bancada evangélica fecha acordo para novo presidente após eleição frustrada
Plenário da Câmara dos Deputados. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

CÉZAR FEITOZA

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A bancada evangélica fechou um acordo nesta quarta-feira (8) para a escolha de seu novo presidente. A definição foi comunicada durante culto na Câmara dos Deputados após a frente parlamentar protagonizar uma eleição que acabou anulada por ter mais votos que assinaturas de presentes.

Pelo acordo, os deputados Eli Borges (PL-TO) e Silas Câmara (Republicanos-AM) vão dividir a liderança da bancada pelos próximos dois anos. Serão mandatos alternados por seis meses, com o poder inicialmente nas mãos do pastor tocantinense.

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A nova liderança deve ser confirmada no próximo dia 15, quando deve ocorrer assembleia da Frente Parlamentar Evangélica para a escolha do novo presidente.

“A coisa mais bonita que acontece aqui é quando todos se reúnem e chegam a um acordo. A gente trabalha mais tranquilo. E quero agradecer a Deus pela vida de alguns irmãos, que entenderam este momento de que era preciso ter paz em Israel”, disse o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP), que é da mesma Assembleia de Deus, assim como Eli Borges, mas atuava nos bastidores em prol de Silas Câmara.

O acordo foi costurado após duas semanas de tentativas frustradas. Silas e Eli até concordavam com a alternância da presidência, mas ambos queriam liderar a bancada no primeiro ano da legislatura.

Nos bastidores, deputados da bancada dizem que a avaliação é que o primeiro ano será decisivo para negociar com o governo Lula (PT) e frear possíveis pautas identitárias que a esquerda tente passar nos primeiros meses do novo Congresso.

A escolha do novo líder deveria ter ocorrido em 2 de fevereiro. Pela primeira vez, sem acordo ainda fechado, a bancada evangélica iria submeter os nomes a votação. Pleitos passados tiveram como praxe a aclamação de um presidente sem necessidade de votação. Assim aconteceu desde a criação da Frente Parlamentar Evangélica, em 2003.

Sem o costume de realizar eleições, a bancada sofreu diversos problemas técnicos com o processo de votação.
Parlamentares que não se inscreveram na lista conseguiram votar -manobra que o regimento interno proíbe.
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), presidente do bloco que passará o bastão, disse que houve divergência entre a quantidade de votos e o número de parlamentares que assinaram a lista de presença.

“O nosso sistema, por problema de internet, tem várias quedas, e por isso tivemos problemas na nossa lista [de membros da bancada]. Nós tivemos alguns que, por acharem que o nome estava na lista, colocaram seus votos. Por conta disso, minha decisão foi pela nulidade da eleição nesse momento”, disse Sóstenes após anular a votação.

A anulação da votação só foi definida após mais de quatro horas de discussão. Nesse meio tempo, Otoni afirmou que, se o pleito não fosse anulado, entraria na Justiça. “Está sendo fraudada a eleição pelo grupo do Silas Câmara […] A gente não fala que é crente, a palmatória do mundo? Corrige gays, corrige todo mundo, e faz essa sacanagem aqui dentro?”

Um dos mais longevos evangélicos na Casa, com o primeiro dos sete mandatos iniciado no século 20, Silas Câmara é de uma família forte na Assembleia de Deus do Norte. Seu irmão Samuel Câmara lidera em Belém a chamada Igreja-Mãe, a primeira expoente brasileira dessa denominação, fundada em 1911. Jonatas Câmara, outro irmão, está à frente da Assembleia de Deus no Amazonas.

O próprio Câmara, quando foi eleito pela primeira vez, em 2019, viu a pacificação em torno do seu nome ser selada no próprio dia. Cinco rivais abandonaram o páreo em seu benefício, incluindo Flordelis (então PSD-RJ). Três meses depois, seu marido seria assassinado, crime pelo qual ela acabou condenada no ano passado.

A bancada evangélica existe desde os anos 1980, mas só foi oficializada em 2003, no mesmo ano em que Lula chegou ao Palácio do Planalto após três incursões presidenciais fracassadas. A Frente Parlamentar Evangélica nasceu “destinada a assegurar os direitos do povo cristão”, como diz seu estatuto.

Neste ano, eles tentam consolidar o seu crescimento, com esforço para que a bancada tenha a participação de 30% do Congresso -percentual que, pela expectativa de lideranças, deve ser a quantidade de evangélicos no Brasil a ser anunciada no próximo Censo.

O bloco ainda conseguiu ampliar seus espaços de poder na Câmara com a eleição de bancadas mais conservadoras e com a eleição de duas lideranças do segmento para cargos-chave na Mesa Diretora: 0 1? vice-presidente (Marcos Pereira, do Republicanos-SP) e o 2? vice-presidente (Sóstenes).

Folhapress

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