Desmatamento do Cerrado em Goiás aumenta quase 70%; veja cidades com mais alertas de destruição

Pesquisa revela dados de fevereiro de 2023 comparado com mesmo período do ano passado

Gabriella Pinheiro Gabriella Pinheiro -
Fotos aéreas da queimada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, ocorrida no final de 2021. (Valter Campanato/Agência Brasil)

Atualizada às 9h de 21 de março

Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado) mostram que Goiás é o terceiro estado do país com maior índice de desmatamento do bioma durante o mês de fevereiro.

Ao todo, conforme o relatório, 10.849 hectares de vegetação nativa foram desmatados no estado somente no mês de fevereiro.

Ao estratificar o dado, levantamento mostra quais cidades mais contribuíram negativamente para esse cenário – contando com o maior número de alertas de desmatamento durante o período.

São eles: Niquelândia com 145 notificações. Logo atrás seguem Ipameri e Crixás com 80 e 55, respectivamente.

Também constam na pesquisa as cidades de Caiapônia (54), Minaçu (47), Sítio d’Abadia (44), Luziânia (43) , Formosa (39) , Água Fria de Goiás (39) e Campinaçu (35).

Os números foram divulgados na quarta-feira (15) por meio do site do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram desmatados 6.421 hectares, o número chega a representar um aumento de 69%.

Na frente de Goiás, aparecem Bahia (BA), com 22.187 hectares desmatados, e Minas Gerais (MG) –  responsável pela destruição de 10.007 hectares do bioma.

Leia nota na íntegra da Semad:

Não há como falar em recorde histórico quando se comparam apenas os meses de fevereiro dos anos de 2023 e 2022;

– A plataforma SAD Cerrado utiliza algoritmos automáticos para delimitar e mensurar a quantidade de alertas de desmatamento. É importante ressaltar que, no SAD Cerrado, esses alertas não são submetidos à validação individual de um analista. Essa informação consta na página inicial do próprio sistema. Ou seja: É altamente provável que as estatísticas utilizadas pela reportagem incluam os chamados falsos alertas.

– A Semad dá preferência aos dados gerados pela plataforma Mapbiomas, por dois motivos: 1) o Mapbiomas trabalha com informações geradas por diversos repositórios, inclusive o SAD Cerrado, o que dá uma visão mais completa do cenário; 2) os dados do Mapbiomas passam por validação individual antes de serem disponibilizados. Por esse motivo, são mais fiéis à realidade.

– Dito isso, cabe dizer que o Mapbiomas apresenta números divergentes do SAD Cerrado, no que diz respeito ao desmatamento em Goiás. Informa, por exemplo, que em dezembro de 2022 a área desmatada foi de 1.076 hectares, enquanto o SAD afirma que foi de 6.593 ha. Há conflito também nos números relativos a novembro de 2022 (2,22 mil ha contra 6,59 mil ha), outubro de 2022 (1,95 mil ha contra 6,74 mil ha), setembro de 2022 (1,14 mil ha contra 3,28 mil ha) e assim sucessivamente.

– Outra hipótese que deve ser considerada, e que a reportagem não analisou, é a de que o período chuvoso e a consequente formação de nebulosidade no céu pode ter causado subnotificação em janeiro, é inclusive aconteceu no primeiro mês do ano em temporadas passadas. Por consequência, esses números são represados para o mês seguinte e criam uma falsa impressão de curva elevada em fevereiro.

– É importante ressaltar ainda a necessidade de separar supressões de vegetação autorizadas por lei de supressões não autorizadas. No dia a dia, a Semad analisa pedidos de supressão que têm previsão legal e, uma vez deferidos, acompanha o cumprimento de todos eles.

– Considerando que Goiás tem a grande maioria de suas áreas coberta pelo Bioma Cerrado e que legalmente há muitas áreas passíveis de autorização de supressão, é importante dizer que, quanto mais ágil a Semad for no cumprimento de suas diligências, maior será aumento de áreas suprimidas de maneira legal. O corte de árvores isoladas (exclusivo para áreas consolidadas/antropizadas), também representa uma forma permitida em lei de se converter áreas de pastagem em lavouras, por exemplo, e podem ser erroneamente computadas como se fossem novos desmatamentos.

– Por todas as razões expostas, o Governo de Goiás, por meio da Semad, contesta com veemência os dados publicados pelo SAD Cerrado. Não entendemos a quem esses números podem interessar, uma vez que não há confiabilidade técnica neles. Toda a situação nos causa perplexidade porque desencadeou um processo de desinformação que é nocivo, e que contamina e prejudica o trabalho realizado por pessoas sérias e comprometidas com a causa ambiental.

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