“Ele está traindo o povo de Aparecida”, diz Vilmar Mariano sobre pré-candidatura de Professor Alcides à Prefeitura

Prefeito contará com apoio em peso dos principais líderes do MDB e tem a mesma expectativa quanto ao governador Ronaldo Caiado

Pedro Hara Pedro Hara -
Entrevista com Vilmar Mariano, prefeito de Aparecida de Goiânia. (Foto: Wigor Vieira)

Neste domingo (26), o entrevistado do “6 perguntas para” é o prefeito de Aparecida de Goiânia, Vilmar Mariano (MDB).

No cargo desde março de 2022, quando Gustavo Mendanha (MDB) renunciou para disputar o Governo de Goiás, ele tem buscado imprimir um estilo próprio na condução do segundo município mais populoso do estado.

É quase nada formal, está sempre cercado por auxiliares de confiança e não fugiu de nenhuma pergunta feita pela Rápidas.

Ele nos recebeu em seu gabinete, no 6º andar da Cidade Administrativa Maguito Vilela, sede do poder aparecidense, vestido com uma gola polo do Flamengo. O encontro ocorreu na tarde da última quinta-feira (23).

“Vilmarzinho”, como é conhecido desde os tempos de vereança, é pré-candidato à reeleição e aponta como prioridade acelerar obras já programadas em 2024.

Vê o antecessor como irmão e não tem vergonha em dizer que se aconselha com ele para conduzir a Prefeitura.

Para o pleito do ano que vem diz que contará com o apoio em peso dos principais líderes do MDB e tem a mesma expectativa quanto ao governador Ronaldo Caiado (UB).

Já tem discurso afinado contra o ex-aliado político e deputado federal Professor Alcides (PL), que deve disputar o Executivo Aparecidense respaldado pelo bolsonarismo.

“Ele está traindo o povo de Aparecida”, diz.

6 perguntas para Vilmar Mariano

1. Do ponto de vista da gestão, quais as prioridades da Prefeitura de Aparecida para 2024?

Vilmar Mariano: 2024 está sendo planejado desde o início de 2023, porque a cidade não para. Então, a gente está programando para Aparecida ser proporcionalmente o maior canteiro de obras do país em 2024 após o período chuvoso.

Nós já licitamos R$ 230 milhões em pavimentação asfáltica. Licitamos oito eixos em toda a cidade, ligações importantes como o do Terra Prometida com o Veiga Jardim, que é um sonho antigo da população e temos mais R$ 370 milhões para ser licitado antes do período chuvoso. Acabando o período chuvoso, a gente começa as obras.

2. Atualmente, qual a participação de Gustavo Mendanha no governo municipal?

VM: O Mendanha não é meu aliado, ele é meu irmão. Meu amigo, meu companheiro. Aliado é aquele que é aliado na política, passa o período político e acaba.

Nós somos amigos há anos, uma amizade sólida e de família. É um aliado político e amigo. A participação dele aqui na gestão é essa. O governo que está aqui foi montado por ele, todo o secretariado.

Na hora que eu tenho dificuldade na minha gestão eu não tenho dificuldade de ir lá e me aconselhar com o Gustavo. O Mendanha fez um mandato de excelência. É um cara que está preparado para fazer gestão, fez uma gestão com excelência em Aparecida de Goiânia, um cidadão preparadíssimo.

É um cara que eu tenho que me aconselhar sempre que eu estiver com dificuldade e faço isso sem nenhum constrangimento.

3. Ele te ajudará na campanha para reeleição?

VM: O Gustavo e eu estamos juntos desde 2009, quando ele chegou na Câmara Municipal. Nós vamos estar juntos até quando acabar o meu ciclo político e quando acabar o ciclo político dele. Nós vamos estar juntos sempre. É um grande amigo, um grande parceiro meu de todas as horas.

4. Se aprovada como está, a Reforma Tributária vai prejudicar Aparecida?

VM: Todos os municípios perdem com a Reforma Tributária. A minha equipe financeira está fazendo um levantamento para saber qual será as percas que a cidade Aparecida vai ter.

Não dá para a gente dizer ainda certinho como será. A partir do momento que for aprovada, que a gente vai ver realmente como isso foi aprovado, é que a gente vai saber os números corretos. Mas perder, vai perder. No entanto, uma cidade grande como a Aparecida perde muito menos que uma cidade pequena.

5. É provável que o deputado federal Professor Alcides (PL) seja seu principal adversário na campanha do ano que vem. Vocês já foram aliados. O que causou a cisão?

VM: Eu pedi muito voto para ele, fui parceiro dele demais. Quando acabou a eleição eu não mandei o pessoal dele embora. O pessoal dele que veio e pediu demissão da minha gestão. Ele estava muito bem. Foram eles que saíram da minha gestão. O Professor Alcides deve ter feito pesquisa e sentiu que pode ser competitivo na eleição do ano que vem e decidiu que é candidato.

Eu acho que o que ele está fazendo não é correto. Diante do que nós nos alinhamos e estávamos apalavrados. Eu ajudaria e ele me ajudaria na eleição seguinte. Ele achou que por bem ser candidato, eu respeito isso e vida que segue.

Nós estamos completamente rompidos. Rompidíssimos. Se ele entender que ele está traindo o povo de Aparecida, que podia muito bem cumprir o mandato dele lá…

As 35 mil pessoas que votaram nele em Aparecida de Goiânia, votaram nele para nos representar na Câmara Federal. Não é para menos de um ano da eleição, ele ser candidato. Então, isso é com ele [fazer essa reflexão].

Se ele quiser voltar e há espaço para isso? Claro que há. Há espaço para recompor. Neste momento nós estamos rompidos, mas se partir da vontade dele voltar para compor a nossa base, [aceito] tranquilamente.

Estamos rompidos politicamente. Agora, de relacionamento, jamais. Até mesmo porque ele teve 35 mil votos aqui que garantiu a ele um mandato na Câmara Federal.

Então, independente de ser ou não ser candidato, ele tem que retribuir esses votos com emenda de orçamento para que nós possamos fazer as obras aqui. Eu vejo com total naturalidade que o nosso relacionamento institucional é bacana.

Ele está traindo o povo de Aparecida. Eu não. Então eu sou tranquilo com relação a isso aí. Agora as pessoas que votaram nele, votaram para ser deputado federal. E nós sabemos a importância de um deputado federal em Brasília, o quanto que ele pode canalizar para a cidade de Aparecida de Goiânia. Mas vamos esperar para o ano que vem, que política é no ano que vem. Vamos tratar de política no ano que vem.

Nesse momento eu quero fazer uma gestão de excelência para me capacitar e ser competitivo na eleição do ano que vem.

6. Já conversou com o governador Ronaldo Caiado (UB) visando apoio dele na campanha?

VM: O governador nunca apalavrou comigo, mas ele está deixando para tratar de política exatamente no ano que vem, no ano eleitoral. Mas existe um acordo entre o Daniel e o governador da seguinte forma: onde o MDB estiver na cabeça de chapa, o União Brasil estará também na chapa. Então, eu estou muito confiante que o governador vai estar conosco. Eu tenho certeza absoluta que ele vai estar conosco.

Qualquer um das 650 mil pessoas de Aparecida pode ser vice. Com certeza, qualquer um. Mas esse vice vai ser definido em julho do ano que vem. No processo, nas convenções partidárias.

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