Milei suspende propaganda oficial e corta 34% dos cargos públicos

A intenção é também verificar eventuais "contratações irregulares" feitas no último ano pela gestão de Alberto Fernández

Folhapress Folhapress -
Javier Milei tomou posse no dia 10 de dezembro de 2023 (Foto: Reprodução)

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – O novo presidente Javier Milei vai suspender a propaganda oficial em meios de comunicação da Argentina por um ano, seguindo o que prometeu durante sua campanha. O anúncio foi feito nesta terça-feira (12) pelo porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni, em entrevista coletiva, que agora ocorrerá diariamente.

Então candidato, Milei se referiu a veículos de mídia públicos, os quais quer privatizar, como “ministério da propaganda encoberto”.

Seu porta-voz afirmou ainda que a redução de cargos federais será de 34%, mas não soube dizer com precisão quanto será economizado, já que os contratos e nomeações acabam de começar a ser revisados.

A conta se refere ao corte de 18 para 9 ministérios, de 106 para 54 secretarias e de 182 para 140 subsecretarias.

“O objetivo é fazer o impossível no curtíssimo prazo para evitar a catástrofe”, declarou Adorni, dizendo que os funcionários que não queiram fornecer informações sofrerão as “sanções correspondentes”, sem detalhar quais.

A intenção é também verificar eventuais “contratações irregulares” feitas no último ano pela gestão de Alberto Fernández.

Na segunda (11), o porta-voz já havia informado que o governo começará a exigir 100% de presença desses empregados no escritório e que “o emprego militante acabará”, expressão pela qual foi questionado.

“É o emprego que todos sabemos que nasce por questões políticas, de caixa e de campanha. […] É preciso acabar com essa lógica de ver como normal coisas que não são”, respondeu.

Ele também repetiu a frase “dentro da lei tudo, fora da lei nada” ao ser indagado sobre como serão tratadas manifestações maciças contra os cortes, já agendadas para os dias 19 e 20 por sindicatos e “piqueteiros” um conjunto de organizações de esquerda que usa o fechamento de ruas como forma de protesto desde a década de 1990.

Esses dias marcam 22 anos da renúncia do ex-presidente Fernando de la Rúa, após protestos violentos que tomaram o país na crise econômica, política e social de 2001.

“A liberdade de expressão não se negocia. A liberdade de expressão está garantida dentro da República Argentina”, disse Adorni. Sobre os programas sociais, afirmou que “ninguém vai deixar de ajudar quem precisa”. “Isso não vai ocorrer nesta etapa na Argentina porque entendemos a gravidade da situação.”

O novo pacote de reformas econômicas de Milei é o anúncio mais esperado pelo país no momento. A divulgação ocorreria nesta segunda, mas foi adiada para esta terça, feita por meio de um vídeo gravado pelo ministro da Economia, Luis Caputo.

Sindicatos reagiram às falas de Adorni. “Quando falam em emprego militante, são palavras que já ouvimos antes. Tentam fazer um disciplinamento que facilite os cortes.

Se pretendem espalhar medo e temor, queremos dizer que não conseguirão”, afirmou Rodolfo Aguiar, secretário-geral da ATE Nacional (Associação de Trabalhadores do Estado), um dos maiores e mais antigos do país.

Ele disse ainda que “a maioria dos governos, ao assumir o poder, afirma que revisará os contratos” e que “todos os trabalhadores que conhece desempenham funções na administração pública nacional há anos”, citando que os funcionários federais totalizam cerca de 200 mil pessoas.

“Se não for uma desculpa para promover a demissão de milhares de trabalhadores, e se for verdade que vão procurar pessoas que recebam salários sem trabalhar, nós os acompanharemos nessa busca e seremos os primeiros a denunciá-los”, completou.

À espera dos anúncios econômicos, o sindicato convocou uma reunião na quinta (14) para definir seu “plano de luta”.

No domingo, horas depois de tomar posse, Milei assinou uma série de decretos, entre eles o que prevê a redução de ministérios e outro que altera a regra sobre nepotismo definida pelo ex-presidente Mauricio Macri, agora seu aliado político.

Isso permitiu que ele nomeasse sua irmã caçula Karina como secretária-geral da Presidência.

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