Jogo de videogame pode ter influenciado em morte de adolescente em Anápolis? Psicóloga explica

Portal 6 entrevistou especialista após ser revelado que briga ocorrida em colégio pode ter sido motivada por desentendimento nas mídias digitais

Augusto Araújo Augusto Araújo -
IML foi acionado para realizar a remoção do corpo de Nicollas Lima Serafim, após briga em porta de colégio em Anápolis. (Foto: Samuel Leão/Portal 6)

Após ser revelado que a morte do estudante Nicollas Lima Serafim, de 14 anos, pode ter sido motivada por um desentendimento que se iniciou em um jogo online, se reacendeu a discussão a respeito da influência dos videogames para o aumento de casos de violência entre jovens e adolescentes.

Dessa forma, o Portal 6 conversou com Jordana Gracielle, psicóloga clínica e escolar, que explicou a relação entre jogos violentos e ocorrências como a desta terça-feira (20), no Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza.

Em primeiro lugar, ela destacou que não existe um consenso entre as pesquisas sobre o tema que possa indicar uma influência direta do videogame no comportamento de quem joga.

“É muito perigoso fazer uma correlação, porque a gente cai no risco de reduzir um fenômeno que é extremamente complexo, a uma única variável – o videogame. O que mais me chama atenção não é o videogame em si, mas como os jovens, estão lidando com suas frustrações e conflitos. Só resolve se for na violência?”.

A psicóloga ainda destacou que existem estudos que indicam que os jogos podem ter potencial muito positivo de estimulação cognitiva, atenção, percepção, memória, habilidades motoras.

No entanto, eles possuem também efeitos negativos, como o vício, dificuldades de socialização, problemas posturais, entre outros.

Jordana pontuou que situações como a que aconteceu no Parque Calixtópolis vão muito além das mídias digitais, englobando também a realidade dos adolescentes no cotidiano.

“Um caso como esse não é isolado e, muito menos, simples. Envolve uma série de fatores: família, escola, políticas públicas, a própria relação entre os estudantes. A escola, a família e os espaços sociais em gerais precisam ser lugares que estimulem o vínculo com a vida, com a escuta, com a fala, com os colegas e compreender a importância de ensinarmos como lidar de forma saudável com diferenças, desavenças e conflitos.

Por fim, a psicóloga destacou que, em casos onde o aluno perceber que está sendo ameaçado, é fundamental que comunique aos pais e responsáveis, além de alertar sobre a situação para as autoridades escolares, para que sejam tomadas providências.

“Nosso dever é incentivar uma cultura na qual resolver pela via da violência não seja uma opção. E muitas vezes, é ela é colocada como única saída”, concluiu.

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