Documentário vai contar trajetória de artista das geotintas

Galdino produz seus trabalhos a partir de pigmentos minerais, além de percorrer escolas e comunidades ministrando oficinas que ensinam a técnica e reforçam a ancestralidade de se utilizar recursos naturais para produzir arte

Da Redação Da Redação -
(Foto: Divulgação)

A trajetória do artista plástico Galdino, de Catalão, será contada em um documentário cujo roteiro começou a ser produzido em janeiro, a partir de uma pesquisa documental biográfica que percorre suas influências e descobertas ao longo de 26 anos de contato com o universo das tintas de terra. O documentário é uma produção possível graças à Lei Paulo Gustavo do Governo Federal, operacionalizado pela Prefeitura Municipal de Catalão, mas que percorre também os municípios de Goiânia e Cidade de Goiás.

No roteiro das gravações estão visitas à Escola de Artes Plásticas Veiga Valle junto ao artista Auriovane D’ávila, ao Museu Conde dos Arcos, ao Museu Giuseppe Confaloni e ao Museu do Judiciário com a artista Marly Mendanha. Além de oficinas de Muralismo em Geotintas em diferentes cidades. A primeira será na cidade de Goiás, nesta sexta-feira (23), em parceria com a Secretaria de Educação do município.

Galdino é o nome artístico de Cláudio Roberto Freire, um engenheiro de minas formado em Ouro Preto (MG), com mestrado pela Unicamp (SP), que trabalhou em várias empresas do setor no Brasil e no Canadá, e em 1998, a partir do encantamento pela possibilidade de produzir suas próprias tintas via coleta de pigmentos minerais, construiu o projeto Terra Cor Brasil, que já impactou centenas de pessoas.

O documentário “Geotintas, o Despertar”, também irá mostrar o afloramento da consciência de Galdino a partir do contato com o universo das tintas de terra. Neste caminho, Galdino passa por Catalão e a Cidade de Goiás. Ainda no final da década de 1990, através de uma reportagem de televisão, o artista tomou conhecimento da possibilidade de se produzir a própria tinta com pigmentos minerais e passou a observar seu ambiente de trabalho.

“Eu me lembrei que na mina onde trabalhava, em Catalão, havia a extração de fosfato, de várias cores diferentes. Fiz algumas amostras de tinta a partir disso e nunca mais parei”, conta Galdino.

Pouco tempo depois, o artista tomou conhecimento daquela que seria sua influência e que também será lembrada no documentário que começa a ser produzido: Goiandira do Couto, que a partir de 1968, na cidade de Goiás, começou a pintar usando areias de pedras trituradas da Serra Dourada, uma técnica única e exclusiva que a tornou reconhecida internacionalmente.

A jornada de Galdino tem significativa vertente no campo educacional. O projeto Terra Cor Brasil visita escolas e comunidades ensinando técnicas artísticas ancestrais de produção e pintura com geotintas e desperta nos participantes um pensamento crítico quanto à exploração dos recursos naturais. Essas oficinas incentivam o lado artístico das pessoas e também a valorização da identidade cultural e a apropriação e transformação do espaço coletivo.

“Eu falo do uso sustentável dos recursos minerais. Trago um conteúdo que tem uma carga voltada para o entendimento de qual a origem do pigmento mineral, das rochas e trato da formação no planeta Terra”, destaca o artista. Galdino é exemplo do impacto que os recursos minerais têm em uma comunidade. Sua formação profissional foi despertada a partir do que ele via em Catalão, com suas minas de fosfato e nióbio.

O documentário também pretende mostrar a influência que as oficinas de geotintas tem para educadores, que percebem a multidisciplinariedade do tema. Falar de tintas extraídas de minerais é tratar da história dos ancestrais do homem nas cavernas com suas pinturas rupestres. É abordar ainda geografia e outros campos das ciências humanas, além, claro, de artes.

A produção audiovisual também estará acompanhada de um artigo científico, que fará um resgate histórico da técnica ancestral de uso das geotintas e como ela ainda se manifesta na sociedade atual, seja pela obra de artistas, seja na manutenção da tradição de seu uso em comunidades urbanas, rurais e tradicionais indígenas e quilombolas.

O documentário tem a proposta ainda de fazer um resgate material e imaterial do uso das geotintas, trazendo a questão para atualidade, despertando para a possibilidade de uso do pigmento extraído dos minerais no lugar dos industrializados, o que facilita o acesso por camadas socialmente desfavorecidas, além de reduzir os impactos ambientais.

“Queremos inspirar ações e políticas públicas, e projetos autônomos de resgate e disseminação do saber das geotintas, beneficiando diretamente comunidades, cidades, setores de cultura, turismo e educação nos municípios”, ressalta Galdino.

Sobre Galdino

Cláudio Freire é artista, engenheiro de minas e geocientista. Adotou o nome artístico de Galdino em homenagem ao sobrenome materno de sua mãe. Atuou por mais de 20 anos como gestor de pessoas e processos em projetos de mineração no Brasil e Canadá. Em 1998, se apaixonou pelas possibilidades de uso dos pigmentos minerais para a produção de tintas em trabalhos artísticos. Desde então, tem se dedicado ao desenvolvimento da técnica de uso tintas de terra (geotintas), tendo realizado exposições, mostras e oficinas. Desde 2016, vem se dedicando ao empreendedorismo e desenvolvimento de projetos socioculturais e ambientais. Acredita que arte e educação são veículos poderosos para mudar a realidade das pessoas, despertando a consciência individual para o ganho coletivo.

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