Síndico luta há meses por ressarcimento após vazamento da Saneago levar muro de condomínio de Anápolis abaixo

Empresa reconheceu responsabilidade parcial no desabamento, mas apontou falhas estruturais pré-existentes

Davi Galvão Davi Galvão -
Síndico luta há meses por ressarcimento após vazamento da Saneago levar muro de condomínio de Anápolis abaixo
Muro veio abaixo após vazamento que durou mais de três dias. (Foto: Reprodução)

Pó, sujeira e terra. Em dias de chuva, muita lama. Essa é a realidade já há quase seis meses para os moradores do Condomínio Quinta Vila Verde, em Anápolis, após um muro interno do residencial ir ao chão em decorrência do vazamento de uma adutora da Saneago.

Registros enviados ao Portal 6 mostram o cenário calamitoso que sucedeu à queda da estrutura, de aproximadamente 20 metros, o que assustou os condôminos, que até hoje aguardam uma solução definitiva.

Em entrevista ao Portal 6, o síndico do residencial, José Antônio Lima de Sousa, de 63 anos, comentou que os trâmites com a Saneago que se arrastam há meses começaram antes mesmo da queda do muro.

Isso porque, poucos dias antes da estrutura ir ao chão, moradores já haviam acionado a empresa ao notarem o vazamento.

A empresa compareceu ao local, mas não pôde efetuar o procedimento cabível, pois não tinham uma das peças necessárias.

À reportagem, a Saneago afirmou que adquiriu o material específico para os reparos, mas antes do início da manutenção, o muro cedeu.

“Desde maio tá esse inferno. Os moradores cobrando com razão e até agora nada. É um descaso”, comentou José.

Prejuízo

Assim que a estrutura caiu, ele iniciou os trâmites com a Saneago, realizando três orçamentos das despesas necessárias para levantar o muro. A cifra final foi de R$ 17 mil, sendo R$ 7 mil referentes aos materiais e a retirada de entulho e outros R$ 10 mil quanto a mão de obra.

O grande x da questão foi a resposta enviada pela empresa, no dia 29 de outubro, na qual reconhece parcialmente a responsabilidade pela queda do muro: “o vazamento na rede de abastecimento de água sob responsabilidade da companhia contribuiu de forma determinante para o colapso estrutural”.

Porém, a Saneago sustentou que os mesmos laudos técnicos apontaram falhas estruturais já existentes na estrutura, como ausência de fundação e pilares adequados, além de sistema de drenagem ineficiente.

Assim, o montante ofertado pela empresa foi de R$ 12,3 mil. O valor, segundo José, é insuficiente.

Resposta da Saneago. (Foto: Arquivo Pessoal)

Resposta da Saneago. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Que raciocínio é esse? O laudo fala que o vazamento fez com que o muro caísse, mas o que eles oferecem não dá para construir de novo! Se não dá para levantar o muro é pra gente assumir o prejuízo? Falam de problemas mas se não tivesse tido o vazamento, tava em pé até hoje. Mas não, a gente chamou antes de cair, passaram três dias sem a peça, esperaram cair”, desabafou o síndico.

Conversas encerradas

Ante à proposta dos R$ 12, 3 mil, José respondeu o e-mail reforçando que o valor era insuficiente e terminou o texto dizendo “aguardo retorno”.

Réplica do síndico. (Foto: Arquivo Pessoal)

Réplica do síndico. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para a surpresa dele, entretanto, a próxima notificação que teve foi um comunicado da Saneago informando que o processo seria arquivado após a recusa da oferta.

Resposta final da Saneago, informando que o processo seria arquivado. (Foto: Arquivo Pessoal)

Resposta final da Saneago, informando que o processo seria arquivado. (Foto: Arquivo Pessoal)

“O que mais incomoda não é o valor abaixo, é essa pressa em arquivar, não dar margem para negociação, esse é o padrão de atendimento ao consumidor?”, questionou.

Posicionamento

Ao Portal 6, a Saneago reforçou que o valor de R$ 12,3 mil foi obtido através de um laudo técnico elaborado por um engenheiro civil e está de acordo com o mercado.

Além disso, afirmou que “a quantia não foi aceita pelo Condomínio, que, por sua vez, não solicitou revisão ou renegociação”.

A reportagem solicitou acesso aos laudos técnicos citados, mas não foi atendida.

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Davi Galvão

Davi Galvão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua como repórter no Portal 6, com base em Anápolis, mas atento aos principais acontecimentos do cotidiano em todo o estado de Goiás. Produz reportagens que informam, orientam e traduzem os fatos que impactam diretamente a vida da população.

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