Pouco valorizada no Brasil, profissão tem salário de mais de R$ 40 mil nos EUA

Acordo trabalhista sobre esta profissão reacende debate sobre valorização de funções essenciais nos bastidores da hotelaria

Gustavo de Souza -
Pouco valorizada no Brasil, profissão tem salário de mais de R$ 40 mil nos EUA
(Foto: Ilustração/Liliana Drew/Pexels)

Em muitos hotéis, há um trabalho que sustenta boa parte da experiência dos hóspedes. São profissionais que entram em cena quando os quartos estão vazios, organizam ambientes, repõem itens, cuidam da limpeza e garantem que tudo esteja pronto para a próxima diária.

Apesar da rotina pesada, essa função ainda costuma receber pouca visibilidade, especialmente no Brasil. Nos Estados Unidos, porém, um acordo trabalhista recente colocou a profissão no centro de uma discussão sobre salário, custo de vida e valorização.

Em Nova York, camareiras sindicalizadas de hotéis podem chegar a ganhos anuais superiores a US$ 100 mil até 2034. Na conversão atual, o valor equivale a mais de R$ 500 mil por ano, ou cerca de R$ 42 mil por mês.

O avanço é resultado de uma negociação entre o Hotel and Gaming Trades Council, sindicato que representa trabalhadores do setor, e representantes da hotelaria nova-iorquina. O acordo tem duração prevista de oito anos e foi construído em meio à possibilidade de uma greve da categoria.

Segundo o sindicato, trabalhadores sem gorjeta, grupo que inclui as camareiras de quartos, terão aumento total de US$ 21,20 por hora ao longo do contrato. Com isso, profissionais que hoje recebem pouco menos de US$ 40 por hora poderão ultrapassar a faixa de US$ 61 por hora.

O pacote também prevê manutenção do plano de saúde familiar custeado pelos empregadores, além de contribuições para aposentadoria e novas garantias trabalhistas. Para a categoria, o acordo representa uma das maiores conquistas salariais já obtidas pelo sindicato.

Ainda assim, o caso exige contexto. O salário não representa a média das camareiras em todos os Estados Unidos, mas sim uma realidade específica de profissionais sindicalizadas em Nova York, uma das cidades mais caras do mundo.

No Brasil, a distância é expressiva. Levantamentos com base em dados do mercado formal indicam que camareiras de hotel recebem, em média, pouco menos de R$ 2 mil por mês.

A diferença ajuda a explicar por que o acordo ganhou repercussão internacional. Mais do que um salário alto, ele expõe como uma profissão essencial pode ser tratada de formas muito diferentes conforme o país, a força sindical e o reconhecimento do setor.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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