Adeus, Mounjaro: versão mais potente e barata pode chegar ao mercado com aprovação da Anvisa
Medicamento à base de semaglutida recebeu autorização para ampliar a dose máxima e promete aumentar o acesso ao tratamento da obesidade

As chamadas canetas emagrecedoras continuam ganhando espaço entre os tratamentos mais procurados por pessoas que lutam contra a obesidade.
Nos últimos meses, medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy passaram a fazer parte das conversas sobre emagrecimento e saúde metabólica. Agora, uma novidade aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode ampliar ainda mais as opções disponíveis no mercado brasileiro.
Trata-se do Poviztra, medicamento à base de semaglutida comercializado pela Eurofarma em parceria com a Novo Nordisk. A Anvisa autorizou uma atualização que permite elevar a dose máxima de manutenção para até 7,2 mg por semana em casos específicos acompanhados por médicos.
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O que muda com a nova aprovação?
Até então, o esquema tradicional previa doses de até 2,4 mg semanais.
Com a mudança publicada no Diário Oficial da União, pacientes que não apresentarem resposta clínica adequada após pelo menos quatro semanas utilizando a dose de 2,4 mg poderão, sob orientação médica, avançar para a dose ampliada de 7,2 mg por semana.
Além disso, a autorização contempla apenas adultos com obesidade, definida por índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m².
Medicamento segue modelo do Wegovy
O Poviztra é considerado um medicamento clone do Wegovy, também produzido pela Novo Nordisk.
Na prática, isso significa que ele possui as mesmas características do produto original e acompanha as atualizações aprovadas para o medicamento de referência.
Segundo as informações divulgadas, a dose ampliada corresponde a três aplicações consecutivas de 2,4 mg realizadas no mesmo dia, em locais diferentes da pele, sempre com frequência semanal.
Estudos mostraram maior perda de peso
A decisão da Anvisa teve como base os estudos clínicos STEP UP.
Os pesquisadores acompanharam 1.407 adultos com obesidade durante 72 semanas e observaram que os participantes que utilizaram a dose de 7,2 mg da caneta emagrecedora alcançaram perda média de peso de 18,7%.
Enquanto isso, aqueles que utilizaram a dose tradicional de 2,4 mg registraram perda média de 15,6%. Já o grupo placebo apresentou redução média de 3,9% do peso corporal.
Por outro lado, os pesquisadores também identificaram aumento dos efeitos colaterais gastrointestinais entre os pacientes que utilizaram a dosagem mais elevada.
Diferença de preço chama atenção
Outro fator que tem despertado interesse é o custo do tratamento.
De acordo com os valores informados no mercado, a caneta emagrecedora de 2,4 mg do Wegovy custa cerca de R$ 1.749 por mês, enquanto o tratamento equivalente com Poviztra sai por aproximadamente R$ 1.444 mensais. Isso representa uma diferença de R$ 305 por caneta.
Além disso, especialistas acreditam que a ampliação da concorrência pode aumentar o acesso aos medicamentos voltados ao tratamento da obesidade.
Apesar da aprovação, médicos reforçam que o uso da dose ampliada de canetas emagrecedoras deve acontecer apenas após avaliação individualizada, levando em consideração os benefícios esperados e os possíveis efeitos adversos.
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