Indústria de Goiás pode sofrer impactos com tarifa adicional dos EUA; veja setores que mais preocupam

Estado seria um dos mais afetados pela taxação de 25%, já que tem país como o segundo maior parceiro comercial

Natália Sezil -
Colheita de soja. tarifa
Colheita de soja. (Foto: Wenderson Araújo/CNA)

Menos de quatro meses depois de retirar as tarifas adicionais de 40% sobre os produtos brasileiros, os Estados Unidos estudam aplicar uma nova taxação de 25% às mercadorias saídas do Brasil – e Goiás pode ser um dos estados mais afetados pela decisão.

A nova taxa ainda não está valendo, mas já preocupa a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que ecoa a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e defende que a medida pode comprometer a competitividade das exportações brasileiras.

Goiás pode sair especialmente prejudicado porque tem nos EUA um dos principais parceiros comerciais, ocupando a 2ª posição como destino dos produtos vendidos e também origem dos itens comprados.

A Fieg aponta que as negociações incluem, principalmente, os setores do agronegócio e da indústria da transformação, e defende que os segmentos mais expostos à taxação são os alimentos e bebidas, a metalurgia, couros e derivados, além de empresas exportadoras de produtos agroindustriais.

Carnes, açúcar, milho, soja e ferroligas também podem ser atingidos, visto que parte significativa destes mercados concorrem diretamente com fornecedores de outros países.

Por isso, se os artigos brasileiros ficam mais caros, pode acabar sendo mais vantajoso aos EUA comprar de outros lugares.

Na prática, as consequências incluem diminuição dos volumes exportados, pressão sobre as margens de lucro, o adiamento de investimentos e possíveis reflexos sobre emprego e renda ao longo de toda a cadeia produtiva.

Negociações ainda acontecem

Como a proposta ainda está sujeita a consultas públicas, a expectativa é de que mercadorias consideradas estratégicas para o abastecimento da indústria norte-americana permaneçam isentas, ou recebam tratamento diferenciado.

É o caso, por exemplo, da carne bovina, café, diversas frutas, minérios (ferro, cobre e alumínio), e certos artigos químicos e farmacêuticos.

A Fieg aponta que empresas que queiram driblar parte das consequências podem empregar descontos temporários (para manter o preço final inalterado) ou tentar algum tipo de contrato de fornecimento prolongado.

O que pensam os EUA

A justificativa dos EUA para uma tarifa adicional de 25% são os resultados de uma investigação concluída pelos americanos na última segunda-feira (1º), onde eles acusam o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.

O entendimento do país é de que o Brasil exerce negociações de certa forma desleais porque favorece o Pix em vez de provedores americanos; regula redes sociais para remover conteúdos políticos; e concede tarifas mais baixas para o México e a Índia.

Os argumentos estadunidenses ainda alegam que o Brasil comete desmatamento ilegal; não oferece reciprocidade às exportações de combustível vindas dos EUA; falha na aplicação de leis contra a falsificação de produtos; e não adota medidas suficientes para combater a corrupção.

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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