EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas

Documento foi assinado por Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado

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EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas
Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos.(Foto: Captura de Tela/Youtube/Forbes Breaking News)

ISABELLA MENON

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta sexta-feira (5), a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas. A decisão foi divulgada pelo Federal Register, o Diário Oficial dos EUA.

O documento foi assinado por Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado. Nele, é descrito que as facções “cometeram ou tentaram cometer, representam um risco significativo de cometer ou participaram de treinamento para cometer atos de terrorismo que ameaçaram a segurança de cidadãos dos EUA ou a segurança nacional, a política externa ou a economia dos EUA”.

Pelas redes sociais, Rubio já tinha anunciado a decisão na semana passada e afirmado que as organizações criminosas “são as mais perigosas do Brasil”.

“Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas.”

“Determino que as organizações conhecidas como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho são estrangeiras que cometeram ou tentaram cometer, representam um risco significativo de cometer ou participaram de treinamento para cometer atos terroristas que ameaçam a segurança de cidadãos dos EUA ou a segurança nacional, a política externa ou a economia dos Estados Unidos”, diz o documento assinado por Rubio.

A designação de um grupo como terrorista passa por um processo no Departamento do Estado no ano passado, mas aconteceu na mesma semana da visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, além de Rubio e o vice-presidente Donald Trump.

O governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil. Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.

Após a decisão, o governo publicou uma nota em que diz que PCC e CV são tratados pelo Estado como organizações criminosas responsáveis por espalhar terror em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, armas e atuação de milícias.

Sem citar nome, a gestão chamou de “deplorável” a intervenção da família Bolsonaro nos temas internacionais.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, diz o comunicado.

A partir dessa designação, é criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento destas organizações. De acordo com o departamento, integrantes destas organizações não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país.

Além disso, bancos americanos com contas destes membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo. O Brasil, porém, discorda da denominação, uma vez que no território brasileiro a designação de terrorismo é aplicada para atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado.

À Folha a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que a decisão foi tomada por Trump e afirmou que, apesar do presidente ouvir pessoas do seu entorno, políticos e personalidade, toma decisões com base no que julga no que é melhor para os EUA.

Ela também afirma que as facções PCC e CV estão presentes em 12 estados nos EUA. Segundo Roberson, há um cálculo da presença de integrantes dos grupos em um em cada 4 estados americanos. Porém, nem todos foram divulgados, apenas Nova York, Nova Jersey, Massaschussets, Flórida e Tennessee.

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