Suíça constrói bateria subterrânea do tamanho de dois campos de futebol para abastecer 210 mil casas

Projeto suíço aposta em tecnologia de fluxo redox para reforçar a rede elétrica europeia em meio ao avanço das fontes renováveis

Gustavo de Souza -
Suíça constrói bateria subterrânea do tamanho de dois campos de futebol para abastecer 210 mil casas
(Foto: Divulgação/FlexBase)

A transição energética europeia ganhou um projeto de proporções incomuns no subsolo da Suíça. Em Laufenburg, no cantão de Aargau, uma estrutura subterrânea está sendo preparada para abrigar um dos maiores sistemas de armazenamento de energia já anunciados no mundo.

O empreendimento é conduzido pela FlexBase, que apresenta a instalação como a maior bateria de fluxo redox do planeta. A área destinada ao sistema passa de 20 mil m², espaço superior ao ocupado por dois campos de futebol.

Como a bateria vai operar

A tecnologia escolhida difere das baterias de íons de lítio, comuns em celulares, carros elétricos e sistemas menores de armazenamento. No modelo de fluxo redox, a energia fica armazenada em eletrólitos líquidos, mantidos em grandes tanques.

Quando há excedente de geração, especialmente de fontes renováveis, o sistema armazena eletricidade em forma química. Depois, quando a rede precisa de reforço, o processo é revertido e a energia volta a ser entregue ao sistema elétrico.

Segundo a FlexBase, a capacidade final planejada supera 2,1 GWh. Pela equivalência divulgada pela empresa, isso seria suficiente para abastecer cerca de 210 mil residências por 24 horas.

Por que o projeto chama atenção

A bateria integra o Technology Center Laufenburg, um campus de mais de 40 mil m² que também deverá reunir data center de inteligência artificial, laboratórios e escritórios. A primeira fase de conexão à rede, aprovada pela Swissgrid, prevê 800 MW.

A Invinity Energy Systems foi selecionada para desenvolver a tecnologia de fluxo de vanádio do projeto, com etapa inicial de até 1,5 GWh e possibilidade de expansão.

Além da escala, a segurança é um dos pontos destacados. A solução usa eletrólito aquoso, não inflamável e reciclável, o que reduz riscos associados a incêndios.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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