Após ajuste fiscal, Márcio Corrêa anuncia que Anápolis atinge Capag B e mira renegociação de empréstimo bilionário deixado por Roberto Naves
Nova classificação, segundo o prefeito, abre caminho para que o município busque melhores condições para refinanciar contratos considerados e retomar a capacidade de investimento

A Prefeitura de Anápolis atingiu a classificação Capag B na avaliação da Capacidade de Pagamento da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
O anúncio foi feito pelo prefeito Márcio Corrêa (PL) durante um café da manhã com a imprensa, na manhã desta terça-feira (30), e foi apresentado como um marco para a recuperação das finanças do município.
Segundo o chefe do Executivo, o resultado é fruto das medidas de ajuste fiscal implementadas ao longo de 2025 e abre caminho para a renegociação do empréstimo bilionário contratado na gestão do ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos), apontado por ele como um dos principais entraves para a capacidade de investimento da Prefeitura.
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“Assumi uma gestão com a capacidade de investimento totalmente comprometida”, afirmou.
Márcio disse que o município já desembolsou cerca de R$ 300 milhões apenas com parcelas, juros e encargos relacionados aos financiamentos.
Para ilustrar a situação encontrada, comparou o cenário ao de um cidadão que recorre a um agiota para quitar dívidas.
Conforme o prefeito, diversos indicadores fiscais já alcançaram desempenho equivalente à Capag A, mas a nota geral permaneceu em B devido ao nível de endividamento herdado, às dívidas acumuladas entre 2024 e 2025 e às operações de crédito ainda em andamento.
“Mesmo sendo um termo técnico, a Capag B abre um novo horizonte para Anápolis. Agora podemos buscar o aval da Secretaria do Tesouro Nacional e renegociar contratos com juros muito altos”, declarou.
Ao voltar a criticar o empréstimo contratado para viabilizar o programa Anápolis Investe, Márcio afirmou que a operação possui custos financeiros elevados, chegando, segundo ele, ao equivalente a “200% do CDI mais 3% ao mês”.
O prefeito classificou o financiamento como um dos maiores problemas herdados pela atual administração.
“É a mesma coisa de colocar fogo no imóvel e esconder os extintores para não usar”, comparou.
Ele também acusou a gestão anterior de remanejar recursos inicialmente destinados a investimentos para despesas de custeio, deixando aproximadamente 40 obras inacabadas.
Como exemplo, citou a construção do Politec, prometido como o ‘Daia Municipal’ pela gestão Roberto.
“Cadê o dinheiro? Se for lá, não tem nada. Nem os eucaliptos foram tirados”, disse.
A ponte estaiada também voltou a ser alvo de críticas. Segundo Márcio, cerca de R$ 140 milhões já foram gastos na obra, mas ainda seriam necessários aproximadamente R$ 95 milhões para a conclusão, uma vez que os recursos originalmente destinados ao empreendimento teriam sido totalmente utilizados.
Apesar disso, afirmou que a atual gestão pretende concluir a estrutura com um custo equivalente a cerca de 10% desse valor.
Durante o encontro, o prefeito também relembrou medidas adotadas para reduzir despesas, como o encerramento de contratos de softwares considerados milionários, além da substituição por equipamentos e servidores próprios da Prefeitura.
Segundo Márcio, a economia obtida com essas ações, somada ao controle dos gastos de custeio, contribuiu para a melhora da situação fiscal do município e já permitiu a execução de obras de pavimentação em 23 bairros de Anápolis.
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