Delegada de Anápolis alerta pais sobre youtubers de jogos: “Nem todo influenciador é confiável”

Vídeo publicado nas redes sociais da titular da DPCA usa prisão de influenciador suspeito de aliciar crianças para orientar famílias sobre os riscos no ambiente digital

Lara Duarte -
Delegada Aline Lopes fez alerta após a prisão do influenciador digital investigado por aliciar crianças por meio de jogos online. Fotos: Reprodução/Instagram/@delegada_alinelopes /Adobe Stock)
Delegada Aline Lopes fez alerta após a prisão do influenciador digital investigado por aliciar crianças por meio de jogos online. (Fotos: Reprodução/Instagram/@delegada_alinelopes /Adobe Stock)

O alerta de uma delegada de Anápolis sobre os riscos envolvendo influenciadores de jogos online tem chamado a atenção nas redes sociais.

Em vídeo publicado no Instagram, a titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Aline Lopes, aproveitou a prisão do influenciador digital Matheus Di Bernardi Martins, de 24 anos, conhecido como “Spoteff”, para orientar pais sobre os cuidados com filhos que acompanham youtubers e gamers.

“Seu filho joga Roblox ou qualquer outro jogo online e segue youtubers gamers? Fica nesse vídeo”, inicia a delegada.

Na sequência, ela explica que o influenciador se aproveitava justamente da confiança já conquistada com o público infantil.

“O crime de aliciamento tem uma fase difícil para o criminoso, que é ganhar a confiança da vítima. Esse influenciador pulou essa fase. O público já confiava nele antes mesmo da primeira mensagem”, afirma.

Segundo as investigações, após conseguir as primeiras imagens, o suspeito passava a chantagear as vítimas, ameaçando expor o conteúdo para familiares caso elas não enviassem novos arquivos.

“Ele não precisava convencer, só precisava parecer generoso. Assim que a criança mandava a primeira foto ou vídeo, começava a extorsão: ‘manda mais ou eu conto para seus pais’. Essa é a principal arma do aliciador”, alerta Aline.

A delegada também reforça que pais não devem enxergar influenciadores digitais como pessoas automaticamente confiáveis.

“Seu filho seguir um influenciador não significa que ele seja confiável. É um desconhecido com acesso fácil ao seu filho. Trate como o que ele é: um estranho”, orienta.

Ela ainda destaca que presentes virtuais, como Robux, moeda virtual do jogo Roblox, podem ser o primeiro passo para uma tentativa de aproximação criminosa.

“Moeda de jogo não é presente inocente. Se alguém está oferecendo Robux, gemas ou qualquer moeda virtual ao seu filho, esse é um primeiro alerta de aliciamento. Nada é de graça. Começa com um presente, termina com aliciamento.”

Por fim, a delegada orienta que pais conversem com os filhos sobre o assunto e reforcem que ninguém pode pedir fotos íntimas, independentemente da fama que tenha.

“E a regra de ouro: ensine ao seu filho que ninguém, nem o gamer favorito dele, pode pedir foto ou vídeo mostrando o corpo. Se pedir, isso é crime e ele deve contar para você.”

Caso a criança já tenha enviado algum conteúdo, Aline recomenda guardar todas as provas, fazer capturas de tela das conversas e procurar imediatamente a Polícia Civil.

Entenda o caso citado

O criador de conteúdo Matheus Di Bernardi Martins, que acumulava mais de 200 mil seguidores em plataformas como Instagram, TikTok, YouTube e Discord, foi preso no dia 30 de junho, em Florianópolis (SC), durante a Operação Game Over.

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, ele é investigado por aliciar crianças e adolescentes por meio da promessa de moedas virtuais do jogo Roblox, conhecidas como Robux, em troca de fotos e vídeos íntimos.

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Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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