Estudantes criam, com 36 garrafas PET, um “tanque” para um motor sem gasolina, sem diesel e sem bateria que usa ar comprimido para fazer um triciclo andar sozinho a 10 km/h por até 750 metros

Protótipo desenvolvido no Colégio Técnico Industrial de Santa Maria transforma a pressão armazenada nas garrafas em movimento mecânico

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
triciclo movido a ar comprimido
(Foto: Divulgação)

Um grupo ligado ao Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM), no Rio Grande do Sul, criou um triciclo capaz de andar sem gasolina, diesel ou bateria de tração.

No lugar de um tanque convencional, o protótipo usa 36 garrafas PET para armazenar ar comprimido. Depois, o sistema libera essa pressão para movimentar um mecanismo conectado aos pedais.

O projeto surgiu em 2015 no Laboratório de Pneumática do CTISM, unidade vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A construção levou quase seis meses até o primeiro teste.

Como as garrafas fazem o triciclo andar

As 36 garrafas funcionam como reservatórios de ar sob pressão.

Quando o condutor libera o ar, ele alimenta um cilindro pneumático semelhante ao usado para abrir e fechar portas de ônibus. Uma haste ligada ao cilindro aciona o pedal e transmite o movimento às rodas por meio de uma correia de bicicleta.

Assim, o veículo se desloca sem exigir que a pessoa pedale. A estrutura também possui componentes como rodas, freio e chassi de aço.

Triciclo chega a 10 km/h

Segundo a UFSM, o protótipo alcançou velocidade próxima de 10 km/h e percorreu até 750 metros com uma carga de ar comprimido.

Embora os números sejam modestos para um veículo convencional, o objetivo não era competir com carros ou motocicletas. O projeto buscava demonstrar conceitos de pneumática e aproveitar materiais disponíveis no laboratório.

O desafio partiu do professor Sergio Adalberto Pavani. Já o então estagiário Lucas Cereta, do curso técnico em Mecânica, participou da construção do veículo.

Motor não produz energia sozinho

Apesar de dispensar combustíveis durante o deslocamento, o sistema ainda precisa de uma fonte externa para comprimir o ar.

Normalmente, um compressor elétrico realiza essa etapa. Portanto, o triciclo não cria energia e também não funciona indefinidamente.

Na prática, ele armazena energia na forma de pressão e a libera depois para produzir movimento.

Triciclo movido a ar – UFSM/Divulgação

Garrafas exigem controle de segurança

O uso de garrafas PET chama atenção pelo reaproveitamento e pelo baixo custo. No entanto, recipientes submetidos a pressão podem romper quando apresentam desgaste, danos ou armazenamento inadequado.

Por isso, experiências desse tipo exigem supervisão técnica, controle da pressão e equipamentos de proteção. A montagem não deve ser reproduzida em casa sem conhecimento especializado.

Projeto mostra aplicação prática da engenharia

O triciclo não apresenta autonomia suficiente para substituir veículos usados no cotidiano.

Ainda assim, ele cumpre uma função importante dentro do ensino técnico. O projeto permite estudar pressão, automação, transmissão de energia e reaproveitamento de materiais em uma aplicação real.

Além disso, mostra que uma invenção funcional pode surgir de componentes simples. Nesse caso, peças de bicicleta, uma estrutura de aço e garrafas usadas deram origem a um veículo que se movimenta apenas com a liberação controlada de ar.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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