Aos 75 anos, idosa separa sacolas plásticas por cor, junta até 80 unidades para fabricar uma única bolsa e transforma o restante em toalhas e almofadas, no interior de São Paulo
Técnica artesanal une criatividade e reaproveitamento de sacolas plásticas que dificilmente retornariam à cadeia produtiva brasileira

Aquilo que normalmente seria descartado virou matéria-prima nas mãos da aposentada Ernestina Maria Campreguer, de 75 anos. Moradora de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, ela transforma sacolas plásticas em bolsas, toalhas de mesa, tapetes e almofadas.
Antes de iniciar o trabalho, Ernestina separa as embalagens de acordo com as cores. Para produzir uma única bolsa, utiliza entre 70 e 80 sacolas, conforme mostrou reportagem da TV TEM.
Trabalho completamente manual
As embalagens são recortadas em tiras estreitas e utilizadas como se fossem fios. Depois, a aposentada combina as tonalidades e produz cada peça manualmente com uma agulha de crochê.
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Nenhuma tinta é adicionada ao material. As cores presentes nas bolsas e nos demais objetos são as mesmas das sacolas recolhidas por Ernestina.
Até os pedaços menores ganham utilidade. Os recortes que sobram da produção principal são aproveitados no preenchimento de almofadas, reduzindo ainda mais o volume destinado ao lixo.
As peças são feitas principalmente como passatempo e costumam ser distribuídas entre familiares, amigos e pessoas conhecidas. O trabalho também mantém ativa uma habilidade que a aposentada desenvolveu ao longo dos anos.
Reaproveitamento não substitui reciclagem
A iniciativa prolonga a vida útil das embalagens, mas não resolve sozinha o problema da poluição plástica. Reduzir o consumo, reutilizar materiais e encaminhar corretamente os resíduos para a coleta seletiva continuam sendo medidas essenciais.
Em 2024, o Brasil gerou 4,82 milhões de toneladas de resíduos plásticos pós-consumo. Apenas 21% desse volume foi reciclado mecanicamente, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).
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