Alunos que voltaram a estudar na fase adulta juntaram tubos de PVC, rodas de bicicleta, motor, bateria e Arduino e construíram do zero uma cadeira de rodas inteligente controlada por comandos

Projeto desenvolvido por estudantes da EJA uniu programação, mecânica, acessibilidade e reaproveitamento de materiais dentro de uma escola pública de São Paulo

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
cadeira de rodas inteligente com Arduino
(Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de São Paulo)

Tubos de PVC, rodas de bicicleta e peças reaproveitadas de veículos dificilmente seriam associados, à primeira vista, a um equipamento de mobilidade.

No entanto, foi justamente dessa combinação que surgiu uma cadeira de rodas inteligente criada por alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal de São Paulo.

O protótipo foi desenvolvido em 2025 na EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho, localizada no CEU Parelheiros, no extremo sul da capital paulista.

Além dos materiais reaproveitados, os estudantes utilizaram componentes eletrônicos e programação para fazer a cadeira responder aos comandos de um joystick.

Necessidade da comunidade inspirou o projeto

A ideia nasceu durante conversas entre estudantes e educadores sobre as dificuldades de locomoção enfrentadas por pessoas com deficiência na região.

Na época, cerca de 140 dos aproximadamente 1,2 mil alunos da unidade eram identificados como público-alvo da educação especial, segundo a Secretaria Municipal de Educação.

A professora orientadora de Educação Digital Selma Jacome incentivou a turma a desenvolver uma solução de robótica inclusiva.

O objetivo era criar uma experiência prática que reunisse acessibilidade, tecnologia e participação dos próprios estudantes na resolução de um problema real.

Estrutura foi montada com tubos de PVC

A base da cadeira foi construída com tubos e conexões de PVC. O material permitia cortes, encaixes e mudanças no formato durante os testes feitos em sala de aula.

Rodas de bicicleta foram usadas na parte traseira, enquanto rodas menores ficaram na região dianteira.

Madeira, tecido e material estofado formaram o assento e o encosto. O modelo também recebeu cinto de segurança.

Antes de chegar à versão apresentada, os estudantes testaram diferentes formas de organizar a estrutura, os motores, as rodas e os componentes eletrônicos.

Peças de carro e bicicleta fizeram a cadeira se movimentar

Para gerar movimento, a turma utilizou motores empregados em sistemas de vidro elétrico de automóveis.

Uma bateria de motocicleta forneceu a energia necessária para o funcionamento do conjunto.

Catracas, correntes e rodas de bicicleta participaram da transmissão mecânica. Assim, a força produzida pelos motores era levada até as rodas.

A solução permitiu que os alunos estudassem, na prática, como o movimento poderia ser distribuído e controlado.

Arduino recebeu os comandos do joystick

A parte eletrônica utilizou um Arduino Nano, uma ponte H L298N, fios de conexão e um joystick analógico instalado no apoio de braço.

O Arduino funciona como uma pequena placa programável. Ele recebe o sinal enviado pelo joystick e executa as instruções definidas no código.

Já a ponte H controla o acionamento e o sentido de rotação dos motores.

Ao mover o joystick, o usuário envia um comando ao circuito. A programação interpreta o sinal e determina se a cadeira deve avançar, recuar ou mudar de direção.

Esse sistema transformou a montagem em um verdadeiro projeto de robótica, e não apenas em uma estrutura motorizada.

cadeira de rodas inteligente com Arduino

(Foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de São Paulo)

Erros viraram parte da aprendizagem

Durante o desenvolvimento, qualquer falha no código, nos fios ou na transmissão mecânica aparecia diretamente no comportamento da cadeira.

Se um motor girasse no sentido errado, por exemplo, a equipe precisava revisar a programação ou as conexões.

Da mesma forma, problemas no encaixe dos tubos ou na distribuição de peso exigiam ajustes na estrutura.

O processo reuniu conteúdos de programação, eletricidade, mecânica, geometria e sustentabilidade.

Além disso, os alunos precisaram dividir tarefas, testar hipóteses e corrigir problemas em conjunto.

Cadeira funcionou nos corredores da escola

A escola registrou o funcionamento do protótipo nos corredores da unidade.

O equipamento também foi apresentado a estudantes, professores, funcionários, gestores e familiares.

Durante as demonstrações, a turma explicou como a estrutura foi montada e de que forma o joystick controlava os motores.

A Secretaria Municipal de Educação descreveu a cadeira como funcional, prática, sustentável e responsiva.

No entanto, essas classificações foram feitas dentro do contexto pedagógico e não correspondem a uma certificação técnica independente.

Projeto foi apresentado em eventos municipais

A cadeira foi exibida no Seminário de Educação Especial Juntos Pela Aprendizagem, realizado em setembro de 2025 no CEU Carrão.

Depois, também integrou o 12º Seminário e Mostra de Tecnologias da Secretaria Municipal de Educação, promovido em novembro do mesmo ano no CEU Rei Pelé.

Os eventos reuniram experiências de robótica, cultura maker, acessibilidade e reaproveitamento de materiais desenvolvidas em escolas públicas.

A participação permitiu que os estudantes apresentassem o projeto fora da unidade e compartilhassem o processo de construção com outras equipes.

Protótipo ainda não substitui cadeira certificada

Apesar de ter funcionado durante os testes escolares, o equipamento não deve ser comparado diretamente a uma cadeira de rodas motorizada destinada ao uso cotidiano.

Não foram divulgados dados sobre capacidade máxima de carga, velocidade, autonomia da bateria, desempenho em rampas ou resistência prolongada da estrutura.

Também não há informação pública sobre ensaios técnicos com usuários ou certificação para uso como equipamento assistivo.

Por isso, o principal valor do projeto está no processo educacional e na demonstração de que estudantes da EJA podem desenvolver soluções tecnológicas complexas a partir de materiais acessíveis.

A experiência transformou a sala de aula em um espaço de criação e mostrou como conhecimentos acumulados ao longo da vida podem ganhar novas aplicações quando encontram oportunidade, orientação e trabalho coletivo.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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