A árvore frutífera brasileira levada ao Havaí em 1825 para alimentar a população que virou invasora e hoje é combatida com drones e insetos

Espécie chegou às ilhas há dois séculos e hoje mobiliza cientistas, que testam controle biológico aéreo em áreas de floresta

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Árvore frutífera brasileira levada ao Havaí há 200 anos virou invasora e agora é combatida com drones
(Foto: Ilustração/feita por Inteligência Artificial)

Uma árvore nativa do Brasil, levada ao Havaí no século XIX por causa dos frutos, acabou assumindo um papel bem diferente no arquipélago. Sem os mesmos controles naturais encontrados em seu ambiente de origem, ela avançou pelas florestas e passou a preocupar pesquisadores.

O problema chegou a um ponto em que cientistas recorreram a uma combinação pouco convencional: insetos brasileiros transportados por drones para locais de difícil acesso.

De alimento a ameaça florestal

A espécie é o araçá (Psidium cattleyanum), conhecido no Havaí como strawberry guava. Registros oficiais apontam que a planta foi introduzida nas ilhas em 1825 e, ao longo das décadas, espalhou-se por áreas de mata nativa.

A capacidade de formar agrupamentos densos permite que o araçá ocupe espaço de espécies locais e modifique características da floresta. Pesquisas também relacionam a invasão a alterações na disponibilidade de água e na estrutura dos ecossistemas havaianos.

Inseto brasileiro vira aliado

Para tentar frear o avanço, pesquisadores adotaram o Tectococcus ovatus, pequeno inseto também originário do Brasil. Ele provoca galhas nas folhas do araçá e reduz o vigor e a reprodução da planta, sem ter como objetivo matar as árvores. Testes de especificidade foram realizados antes da liberação no Havaí.

O desafio passou a ser levar o inseto até regiões remotas. Um estudo publicado em 2025 no Journal of Economic Entomology testou drones capazes de soltar folhas infestadas com o agente biológico diretamente sobre as copas.

Nos testes, o procedimento levou, em média, 2,8 minutos por árvore, contra 12 minutos no método com hastes a partir do solo, redução de 77% no tempo. Após um ano, 63% das árvores tratadas por drones apresentavam colonização, ante 38% no método terrestre.

Os pesquisadores também desenvolveram equipamentos capazes de transportar dezenas de unidades por voo. A estratégia pode ajudar a ampliar o controle em áreas florestais extensas, embora limitações técnicas e regulatórias ainda impeçam uma aplicação em larga escala apenas com drones.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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