Mesmo com salários na casa dos R$ 90 mil, setor está com dificuldades em conseguir profissionais

Escassez de profissionais experientes aumenta a disputa entre empresas e transforma benefícios e flexibilidade em armas de retenção

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Mesmo com salários na casa dos R$ 90 mil, setor está com dificuldades em conseguir profissionais
(Foto: Ilustração/ThisisEngineering/Unsplash)

Nem mesmo propostas que colocam alguns profissionais entre os mais bem pagos do país tem garantido contratações rápidas. Em áreas estratégicas, vagas permanecem abertas enquanto empresas disputam um grupo restrito de candidatos experientes.

Esse é o cenário enfrentado pelo setor de Tecnologia da Informação (TI). A transformação digital ampliou a procura por especialistas, mas a formação e a experiência disponíveis no mercado ainda não acompanham as necessidades das companhias.

Segundo a Brasscom, associação que representa empresas de TI e Comunicação no Brasil, existe um descompasso de 30,2% entre a demanda e a oferta de profissionais de tecnologia no mercado nacional. Entre 2019 e 2024, a procura cresceu em mais de 665 mil trabalhadores, enquanto a oferta avançou cerca de 464 mil.

Salários elevados

As maiores remunerações aparecem nos cargos de liderança. Dados do Caged, reunidos pelo Portal Salário, mostram que um diretor de tecnologia recebe, em média, R$ 39,1 mil mensais. O teto estimado chega a R$ 71 mil.

Já o Guia Salarial 2026 da Michael Page indica salários de até R$ 75 mil para diretores de tecnologia de grandes empresas. Em casos excepcionais, com bônus, remuneração variável ou contratos internacionais, os ganhos podem alcançar a casa dos R$ 90 mil.

Por outro lado, esses valores não representam todo o setor. Analistas, desenvolvedores, técnicos e profissionais de suporte recebem salários menores, conforme a experiência, a especialização e a região.

Experiência faz diferença

O principal gargalo está entre os profissionais seniores. Empresas procuram especialistas em inteligência artificial, segurança da informação, computação em nuvem, engenharia de dados e desenvolvimento de sistemas.

Além disso, companhias estrangeiras contratam brasileiros para trabalhar remotamente e oferece pagamentos em dólar ou euro. Com isso, empresas nacionais precisam competir não apenas entre si, mas também com o mercado internacional.

O problema afeta até a contratação de iniciantes. Sem lideranças suficientes para orientar novos funcionários, muitas equipes reduzem a abertura de vagas para profissionais juniores.

Dessa forma, salário deixou de ser o único atrativo. Flexibilidade, trabalho remoto, benefícios, capacitação e planos claros de carreira também passam a definir quem consegue contratar e manter profissionais qualificados.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias