Wesley Batista Filho assumirá comando global da JBS em janeiro de 2027
Batista Filho começou a carreira na empresa há 15 anos e ocupou cargos de liderança em diversas operações globais

JÚLIA GALVÃO – A JBS anunciou nesta segunda-feira (10) que Wesley Batista Filho, 34, será o CEO global da companhia a partir de janeiro de 2027. Ele substituirá Gilberto Tomazoni e passará a ocupar a vice-presidência do conselho de administração, além de atuar como consultor sênior.
O executivo é filho de Wesley Batista, que comandou a empresa entre 2011 e 2017, quando substituiu seu irmão, Joesley Batista, no cargo de CEO. Joesley passou, então, a liderar o conselho de administração. Wesley Batista Filho é neto de José Batista Sobrinho, fundador da companhia.
Batista Filho começou a carreira na JBS há 15 anos e ocupou cargos de liderança em diversas operações globais da companhia, incluindo as posições de CEO da JBS Brasil, presidente da Seara e, desde 2023, CEO da JBS USA.
Após o anúncio, as ações da JBS negociadas em Nova York recuavam 5,76%, enquanto os BDRs da companhia na B3 caíam 4,41%.
Segundo a empresa, a JBS USA responde por mais da metade da receita global da companhia.
Tomazoni ingressou na JBS em 2013, após 27 anos na Sadia e três anos na Bunge Alimentos. Na companhia, comandou o negócio global de aves e a Seara. Em 2017, tornou-se COO global e, em dezembro de 2018, foi nomeado CEO global.
Sob o comando do executivo, a JBS também concluiu a listagem de suas ações na Bolsa de Nova York. Os papéis da companhia também são negociados na B3.
Com a sucessão, Tomazoni continuará como presidente do conselho de administração da Pilgrim’s Pride Corporation, controlada pela JBS, e assumirá a presidência do Instituto J&F.
Em comunicado, Batista Filho afirmou que pretende dar continuidade à estratégia da companhia e destacou como prioridades o atendimento a clientes e produtores, a operação dos negócios e a geração de valor para acionistas.
Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, a escolha já era esperada pelo mercado, que conhece a trajetória e a experiência do executivo dentro da companhia. Na avaliação de Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, a transição tende a ser tranquila e sem grandes reações por parte dos investidores, já que a expectativa é de continuidade da atual estratégia e de uma mudança restrita ao ambiente institucional.
A JBS informou que divulgará mais detalhes posteriormente sobre a transição de liderança.
RESULTADOS DO SEGUNDO TRIMESTRE
Também nesta segunda, a JBS divulgou o balanço da companhia no segundo trimestre deste ano, que teve prejuízo líquido de US$ 102 milhões (R$ 521 mi). O segmento bovino nos Estados Unidos continuou registrando margens negativas no período, influenciado pela redução de preços em razão de uma oferta maior de frango.
O balanço também foi impactado por despesas de US$ 172 milhões (R$ 878,5 mi) relacionadas à recompra de dívidas e de US$ 133 milhões (R$ 679,3 mi) em acordos antitruste nos EUA, entre outros.
O lucro líquido ajustado da companhia -sem os itens extraordinários- foi de US$ 218 milhões (R$ 1,1 bi). No mesmo período do ano passado, a companhia lucrou US$ 528 milhões (R$ 2,6 bi), contando com resultados recordes da subsidiária Pilgrim’s Pride.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado caiu 18% no comparativo anual, para US$ 1,43 bilhão (R$ 7,3 bi), com um resultado negativo de US$ 78 milhões (R$ 398,4 mi) na área de bovinos dos EUA -a maior unidade em receita da empresa-, além de recuo de 38,5% na Pilgrim’s, para US$ 503 milhões (R$ 2,5 bi).
Tomazoni destacou que a produção de frango cresceu tanto nos EUA quanto no México por maior produtividade e menor impacto dos casos de gripe aviária, o que pressionou os preços. Questionado se a indústria vai reduzir a produção em reação à queda nos preços, ele evitou fazer projeções.
Na Seara, unidade brasileira de frangos e suínos que engloba também produtos de maior valor agregado, o Ebitda ajustado no segundo trimestre foi de US$ 380 milhões (R$ 1,9 bi), recuo de 2,9%.
A receita total da empresa somou um recorde de US$ 23,9 bilhões (R$ 122 bi), impulsionado pela unidade de carne bovina, que cresceu para US$ 7,77 bilhões (R$ 39,7 bi), apesar de margens negativas, uma vez que a alta do preço do boi gordo superou a velocidade da alta da carne.
A JBS considera que deverá haver uma melhora na oferta de gado nos EUA até o final do primeiro semestre de 2027, com a retomada da entrada de animais mexicanos para engorda em território norte-americano, à medida que uma questão sanitária relacionada a um parasita está sendo resolvida.
Wesley Batista Filho, o futuro CEO, reforçou a expectativa positiva. “A gente espera que vai ter gado pronto para abate nos EUA por causa da abertura no primeiro trimestre, segundo trimestre de 2027.”
Ele ressaltou a abertura gradual das exportações de gado do México para os EUA a partir de estados não infectados pelo parasita. “Vai abrir um ponto de entrada no final do mês. E mais dois pontos nos meses seguintes, se não tiver nenhum percalço”, afirmou.
Além da barreira para exportações de animais mexicanos, a oferta de gado nos EUA está restrita pelo baixo rebanho de vacas matrizes, que impacta no número de bezerros e por sua vez na produção de carne. “Traz um equilíbrio de volta para o mercado, ou seja, um dos dois problemas se resolve, obviamente tem ainda a questão de vacas…”, acrescentou.
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